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Morre artista plástico Nicolas Vlavianos aos 93 anos

Com obras na Sé, no Arouche e na Luz, escultor nascido na Grécia veio ao Brasil nos anos 1960 e tentava combater uma infecção

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 26 jun 2022, 10h27 - Publicado em 26 jun 2022, 10h23

O artista plástico Nicolas Vlavianos morreu na madrugada deste sábado (25) aos 93 anos em uma clínica da capital paulista. Segundo a filha, Myrine Vlavianos, os últimos seis meses foram de idas e vindas ao hospital, com várias internações. Na última semana, tentava combater uma infecção em uma clínica, mas não resistiu. As informações são do G1.

O velório e a cremação do artista aconteceram na tarde deste sábado, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Nascido na Grécia em 1929, nos anos 1960 veio pela primeira vez ao Brasil, como integrante da delegação grega na 6ª Bienal Internacional de São Paulo e, como conta a filha, acabou ficando e criou uma relação com a cidade. Deixou muitas marcas pela capital: tem obras espalhadas no Arouche, na Sé e no Parque da Luz, por exemplo.

“Ele chegou nos anos 60 e, se você olhar a trajetória dele, sempre transitou entre a máquina e a natureza. Ele teve a fase do homem, das plantas, dos pássaros, das nuvens… Ele representava a natureza na escultura, isso é raro. Ele tinha esse fascínio pela natureza brasileira. Talvez por ter vindo da Grécia, em que tudo é muito árido… ”, destaca a filha.

E complementa: “E, por outro lado, também tinha uma relação com a máquina, todo o processo industrial interessava a ele, que produzia sozinho todas as obras, não mandava fazer nenhuma parte. Meu pai tinha todo o conhecimento técnico, o maquinário. Ele tinha uma oficina, dominava todo o processo, desde os desenhos até o final… Até os últimos dois anos, ele mesmo produzia as obras de 4 metros, de 5 metros”.

“Foi muito difícil para a gente se desfazer do ateliê dele quando ele não tinha mais condições [de trabalhar] e, mesmo assim, intelectualmente, continuava ativo.” Myrina conta que o artista participava de dois projetos que atualmente envolviam a família: “Estamos produzindo neste momento um livro sobre os últimos anos da trajetória dele, ele chegou a participar de parte deste projeto, estava lúcido até bem pouco tempo. Também estamos preparando um documentário sobre ele”.

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Viúvo desde 2001 da artista plástica argentina radicada no Brasil Teresa Nazar, teve com ela uma vida ativa e dois filhos. Segundo Myrine, “tiveram uma vida muito intensa. Se você pensar nos principais movimentos artísticos dos anos 60 até os anos 80, no caso da minha mãe, eles estiveram presentes em todas as exposições e principais manifestações culturais na área das artes visuais. Participaram muito intensamente”.

Ao longo de sua trajetória, Vlavianos realizou exposições individuais nos mais importantes museus do Brasil, participou de exposições fundamentais da arte brasileira, criou obras para vários espaços públicos e, entre outras premiações, recebeu por três vezes o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA): em 1974, 2001 e 2017.

Mais recentemente, em 2017, a Estação Pinacoteca organizou “Vlavianos”, uma retrospectiva de desenhos e esculturas do artista desde os anos 60. A exposição foi a ganhadora do Grande Prêmio da APCA na categoria Artes Visuais do ano. No ano passado, o artista foi o autor da escultura “Victory”, entregue ao piloto de Fórmula 1 Kimi Raikkonen, que se aposentou das pistas em 2021 como o dono da mais longeva carreira de um piloto da categoria.

“A obra de Vlavianos é um emblema da vitalidade das artes visuais de São Paulo. Uma imagem arrebatadora que expressa plenamente a emoção e o impacto da Fórmula 1. Sua escolha enche de orgulho o setor cultural de São Paulo e demonstra a potência da relação arte-esporte”, afirmou à época o secretário de Cultura do estado, Sérgio Sá Leitão. Vivendo e trabalhando em São Paulo há 60 anos, Vlavianos tornou -se, nas palavras do historiador e crítico de arte Walter Zanini, membro do círculo de valores principais da escultura moderna no Brasil.

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