Mercado Municipal de São Paulo tem falhas em sistema anti-incêndio

Problemas incluem telhado, corredores e rota de fuga; há água perto de circuitos elétricos

Com vazamento de água no mesmo lugar em que há dispositivos elétricos, o Mercado Municipal, cartão-postal da cidade de São Paulo, acumula descumprimentos a normas mínimas de proteção contra incêndio. Segundo especialistas, os problemas colocam em risco a segurança de quem frequenta o local. Apesar de ter quase 90 anos e receber cerca de 50 000 pessoas por semana, o edifício não tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Esse documento é exigido por lei que atesta se o local está regular perante o órgão.

Irregularidades de segurança foram constatadas em relatório de 2018, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação, e em documento publicado pela prefeitura na internet, por causa da consulta pública sobre o edital para concessão do espaço. A Prefeitura diz que já está verificando e resolvendo todos problemas citados nos relatórios para conseguir o auto de vistoria dos Bombeiros.

Entre os problemas mais críticos no Mercadão está a ausência de brigada de incêndio treinada para operar extintores e hidrantes ou gerenciar o abandono do local em caso de eventual sinistro. “A brigada deve existir para ‘reagir’ ao incêndio, usando os equipamentos lá implantados”, diz o coronel da reserva dos Bombeiros e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Walter Negrisolo. “Se a brigada não existe, isto é, não há pessoas treinadas, os extintores e os hidrantes tornam-se inoperantes, meros enfeites.”

O relatório coloca os brigadistas responsáveis pelas duas funções (de operação e gerenciamento de abandono), mas Negrisolo diz que são equipes diferentes. “Alguém que seja treinado para usar equipamentos e combater um incêndio, na situação de sinistro, deverá cumprir essa função e, enquanto estiver desempenhando, não terá como fazer outra atividade”, afirma ele. “Ou combate o incêndio ou auxilia o abandono.”

Por um período, o sistema de alarme também chegou a ficar inoperante, considerada falha gravíssima. A prefeitura diz já ter resolvido esse problema. A falta de sinalização adequada das rotas de fuga e de iluminação de emergência são outras irregularidades encontradas. “É preciso considerar que há um fluxo enorme de pessoas lá, e muitas desconhecem as rotas de fuga e não estão familiarizadas com a instalação”, disse engenheiro eletricista e especialista em proteção contra incêndio Marcos Kahn.

Nos últimos meses, o Brasil teve dois graves episódios de incêndio, em que ficou mais evidente a fragilidade dos sistemas de prevenção e fiscalização. O primeiro foi o do Museu Nacional, mais antigo centro de ciência do País, consumido pelo fogo em setembro. O segundo foi a tragédia no Ninho do Urubu, em fevereiro, quando morreram dez jovens atletas da categoria de base do Flamengo. Em 2017, um incêndio destruiu mais da metade do Mercado de Santo Amaro, zona sul paulistana.

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