Linha de roupas para detentos e mulheres de presos é lançada em SP

Marca Liberta foi criada por empresária que conheceu as regras rígidas dos presídios após passar cinco anos visitando o marido na prisão

Após passar cinco anos visitando o marido na prisão, a empresária Gladys Dantas acostumou-se a ouvir reclamações de detentos e mulheres de presos sobre a baixa qualidade dos uniformes e as regras impostas aos trajes de quem cruza os portões nos dias de visitas. Inspirada pelas queixas, resolveu transformar o tema em negócio.

Há cerca de duas semanas, Gladys lançou a linha de roupas Liberta, que inclui modelos com corte moderno para quem está atrás das grades. Além disso, inclui itens produzidos de acordo com as exigências da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para os visitantes, como peças sem zíper, cordão ou botão de ferro.

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Gladis conta que a ideia surgiu há tempos, mas só agora ela teve como custeá-la. O negócio foi criado em parceria com a amiga Aline Lima Mota dos Santos, dona de confecção no bairro do Brás, na região central.

“A gente sempre passou por isso de querer ir bonita no dia de visita e não conseguir por causa das regras”, diz ela, que já administra há cerca de três anos o Jumbo Online, site onde os familiares encomendam os chamados “jumbos”, gíria usada na cadeia para definir os itens levados pelos parentes com alimentos, cigarros e artigos de higiene pessoal.

Entre os modelos da coleção está a tradicional calça de moletom na cor cáqui adotada como uniforme na maioria das unidades paulistas. As administrações dos presídios não exigem que o preso use a peça de um fornecedor específico: basta que cumpra as especificações do estatuto interno. 

Há ainda um conjunto de moletom vermelho criado especialmente para as mulheres de presos que cumprem pena na Penitenciária de Franco da Rocha. Segundo ela, há algumas semanas circulou a informação de que as visitas no local só poderão entrar com roupas dessa cor a partir de novembro. Por meio de nota, a SAP negou que isso vá ocorrer.

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A empresária afirma ter quase zerado o estoque de cinquenta peças de cada item nas últimas duas semanas. Para escoar a produção, ela montou uma barraca na Estação Barra Funda do Metrô, de onde saem semanalmente as vans fretadas por familiares de presos para visitá-los nas penitenciárias no interior.

Uma vendedora também percorre a porta dos presídios em dias de visita com a mercadoria. Sua nora, Andressa Freire, serviu de modelo para as fotos de divulgação (imagens).

Sobre o nome da marca, ela conta que se inspirou no cotidiano das mulheres de presos. “Adorei a escolha porque resume a energia de tudo o que as pessoas almejam nesse meio, a liberdade.”

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