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Conpresp volta atrás na decisão de tombar salão do Clube de Pinheiros

Edificação desenhada pelo arquiteto modernista Gregori Warchavchik é foco de briga entre sócios da instituição

Por Barbara Öberg - Atualizado em 7 jun 2018, 19h55 - Publicado em 7 jun 2018, 19h51

Em reunião do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conprensp) realizada no último dia 4, os conselheiros do órgão voltaram atrás e decidiram não tombar o salão de festas do Esporte Clube de Pinheiros, desenhado pelo arquiteto modernista Gregori Warchavchik e parte da planta da instituição desde 1958.

O órgão municipal de patrimônio havia, em março de 2018, decidido a favor do tombamento da edificação junto com outras duas obras do artista, um conjunto de casas na Mooca e o edifício Mina Klabin Warchavchik, no Campos Elíseos.

Vista aérea do salão de festas Acervo pessoal Carlos Warchavchik/Veja SP

A decisão foi revista após um pedido de recurso do clube. Para combater o tombamento, a direção do endereço usou o argumento de que a construção já sofreu alterações do seu desenho original. Teve sua marquise e rampas de acesso destruídas no processo de desapropriação de uma área do clube pela prefeitura para a ampliação da Rua Iguatemi em 1969, obra futura da Avenida Faria Lima. Além disso, também alega a dificuldade da manutenção depois de aprovado o tombamento.

A reviravolta esquenta ainda mais a rixa entre sócios da agremiação em torno da estrutura. Neto do arquiteto e associado do clube, Carlos Eduardo Warchavchik entrou com o pedido de tombamento em junho de 2014 justificando a “ameaça que a obra sofre com a sua demolição prevista no plano diretor do Esporte Clube Pinheiros para a construção de um empreendimento denominado Arena Pinheiros”.

Um plano diretor aprovado pelo conselho do clube em 2009 fala da demolição do prédio para a construção de um “novo salão de festas e arena multiuso”. Hoje, o espaço recebe eventos infantis, feiras e, durante as Olimpíadas, chegou a servir de refeitório para a delegação da China com cerca de 350 pessoas.

Acervo pessoal Carlos Warchavchik/Veja SP

Um grupo de associados têm batalhado com unhas e dentes para conseguir conservar o salão, juntando dados, pedindo ajuda para pessoas relevantes da área de arquitetura e acompanhado as reuniões dos órgãos públicos. “Essa é a única forma de proteção. Não sabemos se quando mudar a gestão esse salão poderá ser destruído”, diz o associado Michel Neumark.

Em março, em carta, o professor titular da FAU-USP José Lira defendeu a estrutura, dizendo que ela “tem grande valor artístico” e foi feita por um dos “pioneiros da arquitetura moderna no Brasil”.

Procurado, o Esporte Clube de Pinheiros não quis se pronunciar sobre o assunto. O Conpresp, por meio de nota, confirmou ter recebido o recurso da instituição a respeito de seu tombamento e informa que os detalhes da decisão serão publicados na ata correspondente à reunião da última segunda, 4, disponível em seu site oficial dentro de quinze dias.

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