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Os sete pecados mortais que levaram à queda do Hopi Hari

Localizado em Vinhedo, no interior paulista, o parque "mais feliz do mundo" acumula um histórico de erros e incidentes mal resolvidos

Por Sara Ferrari Atualizado em 11 Maio 2017, 14h14 - Publicado em 10 Maio 2017, 19h37

Inaugurado em 1999 na Rodovia dos Bandeirantes, em Vinhedo, interior paulista, o Hopi Hari foi lançado com a meta ambiciosa de ser o “lugar mais feliz do mundo”. Tinha hino, bandeira e até idioma nativo, o hopês. Contudo, ao longo dos dezoito anos de existência, a ideia não se concretizou. Com uma dívida de 700 milhões de reais, luz cortada e quase 300 funcionários sem receber salários desde o início de fevereiro, o local está prestes a encerrar as atividades.

Confira, abaixo, os sete motivos cruciais que levaram à decadência do parque:

  • 1. O investimento na construção do Hopi Hari foi superestimado. A GP Investimentos, em conjunto com quatro fundos de pensão – Previ, Funcef, Petros e Sistel –, gastou 200 milhões de dólares no lugar. A expectativa era atrair 3 milhões de visitantes e faturar 200 milhões de reais por ano, mas isso não se concretizou. Em 2008, melhor ano do parque, o faturamento foi de apenas 70 milhões de reais, com 1,8 milhão de visitantes.

    2. O Hopi Hari foi concebido para ser um parque de padrão internacional. Mas apenas uma parcela ínfima dos frequentadores da Disney e Universal de Orlando, nos Estados Unidos, começou a ir também ao parque brasileiro. Então, para se adequar ao bolso dos visitantes com menor poder aquisitivo, o parque teve de baixar o valor dos ingressos. Isso prejudicou tanto a rentabilidade do lugar como os investimentos nas atrações e nos serviços, como a contratação e o treinamento de funcionários.

    3. Construído no quilômetro 70 da Rodovia dos Bandeirantes, o parque enche nos fins de semana, mas nos dias úteis amarga público bem abaixo da média. Como está localizado no meio do nada, sem outros atrativos turísticos nos arredores, não foi capaz de atrair uma quantidade razoável de visitantes do interior paulista ou de outros estados que justificasse o investimento inicial de 200 milhões de dólares.

    4. Sem público suficiente para pagar as contas, o lugar passou a se afundar em dívidas. Os prejuízos também se refletiram na infraestrutura do parque. Além de não serem renovadas a cada ano, como acontece no complexo Disney, por exemplo, muitas atrações sofreram com a falta de manutenção. Nos últimos anos, os visitantes pagavam o preço cheio do ingresso, mas encontravam pelo menos 30% dos brinquedos desativados devido à necessidade de reparos.

    5. O ápice do problema da falta de manutenção ocorreu em 2012, quando a estudante Gabriella Nichimura, de 14 anos, morreu ao cair do brinquedo La Tour Eiffel devido a uma falha na trava de segurança da cadeira. A atração, carro-chefe do lugar, foi desativada após a tragédia.

    6. Em meio a tantos problemas, o parque enfrentou processos milionários envolvendo acidentes em suas instalações. Foram ao menos três desde a sua abertura, um deles da família de Gabriella Nichimura. Os pais da garota pediram 4,6 milhões de reais, mas o valor acertado não foi divulgado.

    7. A administração do parque também não soube lidar com questões de imagem. Deveria passar a ideia de que seria um lugar seguro para os frequentadores, mas devido a assaltos em suas instalações, aconteceu justamente o contrário. Em 2014, sofreu dois arrastões em menos de um mês. O primeiro foi no dia 24 de setembro, no qual um grupo formado por cinquenta criminosos aproveitou o movimento para roubar pertences dos visitantes. A ação terminou com pelo menos seis pessoas feridas. No fim de outubro daquele mesmo ano, um novo assalto coletivo ocorreu no local, dentro de um brinquedo chamado Manicômio, túnel escuro em que as pessoas se assustam com encenações e brincadeiras de terror feitas por atores. Depois desses episódios, o lugar passou a ser conhecido como “perigoso”, o que afugentou os visitantes.

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