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Anunciado de manhã, CEO da Confederação de Rugby se demite à tarde por prints de falas machistas

Publicações preconceituosas foram atribuídas a ele nas redes sociais: "A tod@s que ofendi, peço que tenham a nobreza de perdoar-me"

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 22 set 2020, 19h06 - Publicado em 22 set 2020, 19h02

A Confederação Brasileira de Rugby (CBRU) anunciou nesta terça-feira (22) um novo CEO, Eric Romano. No entanto, no mesmo dia, o homem saiu do cargo. O anúncio da contratação do executivo repercutiu com uma série de prints de postagens e comentários atribuídos a ele com declarações preconceituosas nas redes sociais.

Eric, que é engenheiro químico e segundo a Confederação “trabalhou com planejamento estratégico, vendas e marketing digital”, mandou uma carta para a organização depois das acusações, reveladas pelo blog Olhar Olímpico, do Uol.

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Em um dos prints atribuídos a ele, Eric teria comparado a “chance de uma mina ser feminista” com o seu “peso”. “Estou concluindo o meu TCC e preciso de uma ajuda para embasar minha tese. Gostaria de saber o peso das pessoas que não gostaram do post”, diz o texto da publicação no Facebook, que seria de 2016. O time feminino do rugby é a principal potência nacional da modalidade.

Outro caso mostra um perfil atribuído a Romano comentando uma publicação do History Channel Brasil de 17 de maio deste ano. A imagem comemora o episódio histórico em que a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da classificação internacional de doenças, em 1990. “Opinião e sentimentos acima da ciência, tá certo”, diz o comentário.

Após a repercussão, na tarde desta terça-feira a Confederação divulgou que Romano pediu demissão do cargo e que “reconheceu as críticas recebidas”. A nota diz que ele “reforçou o fato de serem as posturas relatadas parte de um passado do qual não se orgulha, e deixou o cargo”. 

A organização divulgou a carta de demissão de Romano. Nela ele afirma que seu novo cargo foi “ofuscado pela divulgação de posts que publiquei em tempos que, ainda que recentes, representam uma visão de mundo que abandonei”. E segue: “devolvo aos Senhores do CA [conselho administrativo] da CBRU o cargo e fico à disposição para qualquer medida de transição. A tod@s que ofendi, peço que tenham a nobreza de perdoar-me e de permitir a mim que demonstre, pela minha conduta, que já não condiz com minha postura o que no passado por ignorância e erro expressei”.

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Confira abaixo a carta completa de Romano:

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Conheci e fui acolhido pelo rugby já há alguns anos. Vivi ali um ambiente de inclusão e de camaradagem, e aprendi valores que hoje guiam-me. Movido por esses valores e pelo propósito de contribuir para o crescimento desse excepcional e único esporte, candidatei-me ao cargo de CEO da CBRU.

Escolhido para o cargo, passei a desenvolver um projeto de desenvolvimento e crescimento para o Rugby brasileiro nos
próximos anos, confiante em que poderia deixar uma contribuição positiva. Tal propósito, no entanto, foi ofuscado pela divulgação de posts que publiquei em tempos que, ainda que recentes, representam uma visão de mundo que abandonei, em uma guinada firme, fruto de visões arcaicas e equivocadas.

Renovado, consciente de valores e posturas que antes não enxergava, é que cheguei à CBRu. Perdoei-me por um passado de que em nada orgulho-me e busquei novos caminhos. Não poderia eu cobrar ou exigir, no entanto, que aqueles que não me conhecem, não testemunharam a guinada que vivi, compreendessem a distância e diferença abissal existente entre aquele que um dia fui e este que hoje sou. Assumo minha responsabilidade e reconheço a legitimidade das críticas da comunidade.

E não me permitiria ser o veículo para manchar o Rugby. Não faria sentido algum sentar-me à cadeira para a qual fui escolhido sob uma pecha – que felizmente hoje não me cabe – que, necessariamente, prejudicaria o esporte. Ainda que me sinta hoje injustiçado por não ter tido uma segunda chance para mostrar com atitudes a minha visão corrente e nem mesmo a oportunidade de vivenciar e mostrar que abandonei os erros do passado, prefiro deixar o cargo a ser a razão de prejuízo ao esporte.

Assim, doído e dolorido, devolvo aos Senhores do CA da CBRU o cargo e fico à disposição para qualquer medida de transição. A tod@s que ofendi, peço que tenham a nobreza de perdoarme e de permitir a mim que demonstre, pela minha conduta, que já não condiz com minha postura o que no passado por ignorância e erro expressei. Com amor ao Rugby e respeito a tod@s, despeço-me desejando o melhor ao esporte e que seja cada dia maior a inclusão e que os valores do Rugby sejam cada dia mais incorporados em nosso cotidiano como atletas e seres humanos.

Ficam aqui registradas as bandeiras que pretendi, mas não pude carregar: Rugby, esporte para todos & Rugby Esporte Gigante.

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