Continua após publicidade

Casarões em bairros nobres ameaçam se tornar micos do mercado

Construções chegam a ficar dez anos à espera de um comprador

Por Claudia Jordão
Atualizado em 1 jun 2017, 18h23 - Publicado em 25 nov 2011, 20h40

Encravada no Alto de Pinheiros, a Avenida Diógenes Ribeiro de Lima é uma área de vários casarões. Além da sucessão de exemplares suntuosos de uma miscelânea de escolas arquitetônicas, quem passa por ali hoje em dia não deixa de notar a quantidade de placas de “vende-se” na porta de uma série de residências. Ao todo, a via reúne catorze ofertas no momento, com preços em torno de 2 milhões de reais. O imóvel mais caro é uma mansão de estilo colonial, com 1.000 metros quadrados de área construída. À espera de um comprador há cerca de dez anos, garantem corretores da região, o casarão reúne quatro suítes e oito vagas na garagem, além de dois escritórios, sala com lareira, piscina e jardins. A pedida já foi de 6,5 milhões de reais. Recentemente, o valor caiu para 5,8 milhões de reais. “Agora, o dono está prestes a fechar negócio”, garante um corretor da Sotheby’s Internacional Realty, uma das principais corretoras do mercado de luxo em São Paulo.

Passar para a frente um produto premium sempre demandou mais tempo, pelos valores envolvidos e pelo círculo rarefeito de possíveis clientes. Nos últimos tempos, porém, o trabalho ficou mais duro. O fenômeno verificado no Alto de Pinheiros se repete em bairros como Morumbi, Pacaembu e Interlagos. Enquanto um apartamento de dois dormitórios — atualmente, o tipo de moradia mais procurada da metrópole — leva cerca de três meses para ser comercializado, uma construção de alto padrão demora pelo menos o triplo, segundo cálculos dos especialistas no mercado.

Imóveis - 2245
Imóveis – 2245 ()

No caso do Alto de Pinheiros, parte do problema é a própria Avenida Diógenes Ribeiro de Lima. “É uma rua esquisita, pouco iluminada e que não atrai visitantes”, afirma o corretor Germa no Leardi, dono de uma empresa que atua na vizinhança. No Morumbi, casas de cinema chegam a custar até um terço do valor de bons apartamentos nos Jardins ou na Vila Nova Conceição. Nesse caso, problemas de segurança costumam afastar potenciais interessados. “É o melhor lugar da cidade, oferece uma ótima qualidade de vida e é perto de tudo”, diz um executivo, que não quis se identificar. Ele tenta há três anos vender uma propriedade da família por 3,9 milhões de reais, com 1.321 metros quadrados de área construída. Outra espaçosa residência na região, avaliada em 3,2 milhões de reais, está há dois anos esperando uma boa oferta.

+ Imóveis de luxo se destacam pela extravagância

Continua após a publicidade

+ Imóveis próximos de universidades se valorizam

Um fator que ajuda a transformar uma mansão num mico é a desatualização de alguns projetos. Endereços com poucas vagas na garagem e um número pequeno de suítes costumam ter menos liquidez. Há também casos de obras erguidas numa época em que as famílias eram bem mais numerosas. No fim da década de 70, por exemplo, o empresário Albino Coelho levantou um imóvel com cinco suítes no Alto de Pinheiros para abrigar os três filhos e a mãe, além dele e da mulher. As crianças viraram adultas e ele, depois de desocupar o endereço, colocou-o à venda no início de 2010 por 3,5 milhões de reais. “Enquanto não encontro um interessado, preciso arcar com os custos de manutenção”, conta Albino. São 12.700 reais por ano só de IPTU, além do salário de um vigia e dos serviços de reparos para que o local não fique com aspecto de abandonado.


MAIS SOBRE OS IMÓVEIS

Local: Morumbi (Imagem 1)

Continua após a publicidade

Preço: 3,9 milhões de reais

Área: 2.000 metros quadrados (terreno), 1.321 metros quadrados (construída)

Características: imóvel de três andares, tem quatro suítes voltadas para o jardim, piscina e oito vagas na garagem. Amplo living, sala de TV com lareira, copa

para funcionários e cinco suítes para empregados

Continua após a publicidade

Tempo à venda: três anos

Local: Alto de Pinheiros (Imagem 2)

Preço: 5,8 milhões de reais

Área: 2. 500 metros quadrados (terreno), 1.000 metros quadrados (construída)

Continua após a publicidade

Características: casa em estilo colonial americano recémreformada. Quatro suítes, sala de jantar, dois escritórios, lareira, piscina, jardins e oito vagas. Aquecimento central

Tempo à venda: cerca de dez anos

Local: Morumbi (Imagem 3)

Preço: 3,2 milhões de reais

Continua após a publicidade

Área: 852 metros quadrados (terreno), 714 metros quadrados (construída)

Características: a residência em estilo moderno tem living em porcelanato em dois ambientes, integrados com sala de TV, sala de jantar, jardim e piscina. Possui sauna, salão de festas, quatro dormitórios (duas suítes) e quatro vagas na garagem

Tempo à venda: dois anos

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Para curtir o melhor de São Paulo!
Receba VEJA e VEJA SP impressas e tenha acesso digital a todos os títulos Abril.
Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Para assinantes da cidade de São Paulo

a partir de R$ 39,90/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.