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A saga da liberdade

O editor Daniel Bergamasco e a equipe de fotografia da revista acompanharam egressos durante três meses de apuração

Por Redação Veja São Paulo Atualizado em 5 dez 2016, 15h26 - Publicado em 22 nov 2013, 18h15

Cerca de 300 detentos deixam por dia as 157 unidades prisionais do estado. Pautado para acompanhar o primeiro dia de liberdade de homens e mulheres encarcerados acusados de roubar, traficar e matar, o editor Daniel Bergamasco focou as trinta cadeias da Grande São Paulo. Antes de sair a campo, conversou com ex-presidiários, promotores, juízes, membros da Defensoria Pública e da Secretaria de Administração Penitenciária, criminalistas e militantes religiosos que atuam nas prisões a fim de traçar a melhor estratégia para abordar os egressos.

Curiosamente, a tão esperada data quase sempre pega de surpresa o detento, já que a maioria deles não conta com advogados para acompanhar seus processos. Até conseguirmos chegar ao número de dez personagens, houve muitos contratempos. “Fizemos plantões frustrados porque o tempo entre a expedição do alvará de soltura e a saída do preso é curto”, conta Bergamasco. “Em três ocasiões fomos a Franco da Rocha, por exemplo, e o detento já tinha ido embora.”

Em muitos casos a reportagem foi recebida com desconfiança. Leonilda Lopes da Silva, presa durante sete anos por homicídio, fugiu à regra. “Ela nos agradeceu a companhia nesse dia especial”, diz o fotógrafo Mario Rodrigues. Não à toa. Não havia ninguém à espera dela do lado de fora (o mesmo aconteceu com todos os entrevistados, com exceção de um jovem liberado pela Fundação Casa).

Esses novos egressos saem felizes, mas muito perdidos e, na maioria das vezes, sem um tostão no bolso. Toparam aparecer mostrando o rosto porque garantem que não vão mais voltar à vida bandida, o que, infelizmente, acontece em 70% dos casos. Além de contar as experiências dos presos na cadeia, a reportagem que começa na página 54 revela aspectos curiosos desse universo: desde o empresário que criou um serviço de entrega on-line só com produtos permitidos no cárcere até as mulheres que passam dias acampadas na fila para ser as primeiras a visitar o marido ou o namorado.

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