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“Creio que vamos ultrapassar o Boulos”, afirma Carlos Zaratinni

O vice de Jilmar Tatto (PT) diz que o partido vai precisar demonstrar viabilidade política para vencer o PSOL nas eleições municipais

Por Sérgio Quintella Atualizado em 2 nov 2020, 17h06 - Publicado em 2 out 2020, 00h45

Há dezoito anos longe do dia a dia da capital por causa do ofício em Brasília, o deputado federal Carlos Alberto Rolim Zarattini, 61, chegou a pôr seu nome como candidato a prefeito, mas retirou a propositura após a direção do PT se negar a fazer prévias. Diz agora que o partido vai precisar demonstrar viabilidade política para ultrapassar Guilherme Boulos.

Quais os maiores problemas da cidade hoje?

Nos quatro anos da atual gestão, não houve nenhuma grande ação na cidade. Social, educação, transporte, moradia. O (Fernando) Haddad desapropriou muitas áreas e o Bruno não foi capaz de construir novas habitações.

Foi na gestão Haddad que houve grandes paralisações de obras, como nos CEUs e nos hospitais da Brasilândia e Parelheiros.

O Haddad não conseguiu terminar os hospitais, mas vinha trabalhando nos CEUS, as obras começaram na gestão dele.

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Nos últimos anos o PT foi perdendo cada vez mais espaço e votos na periferia. Quando haverá uma nova reconexão?

2016 foi um momento muito difícil por causa do golpe contra a Dilma. A eleição, poucos meses depois (do impeachment), impactou fortemente o eleitorado. Em 2018, tínhamos um candidato em primeiro lugar (Lula), mas ele foi impedido de se candidatar e preso.

Alexandre Battibugli/Veja SP

Mas o distanciamento com a periferia vem de antes, não?

Dilma Rousseff perdeu em 2014 nas franjas da cidade. Não foi em toda a periferia. Em 2014 a Dilma ganhou apertado. Fomos impactados pelas manifestações e pela Lava-Jato.

A candidatura do Guilherme Boulos tem se mostrado mais viável que a de vocês. Teme um voto útil ao candidato do PSOL?

O voto útil vai para quem tiver capacidade de derrotar os candidatos Bruno e Russomanno. Quem demonstrar mais viabilidade vai chegar lá. Creio que vamos ultrapassar o Boulos. Temos mais estrutura, mais experiência administrativa. E mais enraizamento. A maioria dos votos deles vem das classes média e média alta.

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O ex-presidente Lula vai entrar na campanha do PT na cidade?

Dos nomes nacionais, destaco Lula, Bolsonaro e Doria. Uma pesquisa recente levantou uma questão o ex-presidente Lula é o que mais agrega e o que menos tem rejeição. Ele vai entrar na campanha, claro.

O senhor foi crítico da escolha de Jilmar Tatto para concorrer à prefeitura e cogitou até em ser o candidato do PT. O que houve?

Teve um processo de prévias que participaram candidatos: (Jilmar) Tatto, (Eduardo) Suplicy, Nabil (Bonduki), Kika (Silva) e eu. Fizemos uma série de debates e deveria ter havido prévias em abril, mas o processo foi suspenso por causa da pandemia. O diretório nacional disse que a prévia seria substituída pela escolha dos dirigentes partidários. Como fiz avaliação que daria o resultado que deu, retirei minha candidatura. Queria uma pré-via. São 160.000 filiados na cidade. Votam entre 20.000 e 30.000. Minha crítica não foi contra o Jilmar, mas ao processo. É legítimo. Jilmar ganhou do (Alexandre) Padilha e é nosso candidato. Não tem rusga.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 7 de outubro de 2020, edição nº 2707.  

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