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“A grande pornografia é roubar o país”, diz Alexandre Frota

O deputado federal pelo PSDB não se arrepende do passado como ator pornô, nega estupro e diz que abraçou causas como violência contra a mulher

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 27 Maio 2024, 20h03 - Publicado em 18 jun 2021, 06h00

Há exatos três anos, o senhor chamou o ex-governador Geraldo Alckmin de “bocó” e “frouxo”. Disse também que a escolha de João Doria para concorrer ao governo foi uma “lambança”. Lembrou da renúncia à prefeitura e o acusou de compra de votos para concorrer nas prévias da cidade. Além disso, chamou o PSDB de “cambada de vagabundo” e “safado”. Depois de tudo isso, o senhor se filiou ao partido. Ainda acha isso dos tucanos?

Eu amadureci. Muitas vezes a gente ultrapassa alguns limites. Não tenho problema quando ultrapasso limites e posso dar um passo atrás. Eu tinha resistência muito grande, e ainda tenho, à cúpula mais velha, que se sentiu ferida com minhas palavras. Desses todos, o único que me recebeu de braços abertos e me chamou no gabinete foi o (senador) José Serra.

O que fez o senhor mudar de opinião em tão pouco tempo?

A gente cresce, amadurece e pode mudar de opinião. Hoje eu convivo com o presidente Bruno Araújo, me dou muito bem com o Marco Vinholi (presidente estadual), com o governador. Eu entrei no partido por ele. Não tenho absolutamente nada contra o Doria, muito pelo contrário. Estamos trabalhando juntos na força-tarefa de combate às festas clandestinas. Naquele momento eu era o Alexandre Frota bolsonarista, radical, muitas vezes atacando sem pensar.

A força-tarefa de combate às festas clandestinas, a qual o senhor integra, lhe rende ameaças de morte?

Fizemos mais de 1 000 ações em quatro meses. A polícia encontrou três homens que me ameaçaram pela internet. Eles são jovens, entre 19 e 22 anos. Estavam com a cabeça quente e pediram desculpas. Para eles está difícil, a gente entende. Não sou contra festas, sou contra o momento das festas. É complicado, mas essa parte foi superada. Não fiquei com medo.

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Por isso o senhor muda de telefone a cada quinze dias?

Mudo porque muita gente me liga pedindo coisas o dia inteiro. São pessoas que não têm nada a ver. Aí eu mudo de telefone e passo uma temporada tranquilo.

Donos de estabelecimentos culpam-no das ações e afirmam que o senhor não os deixa trabalhar.

É obvio que as pessoas vão criticar, mas estou dentro da razão a partir do momento em que a gente sai e faz uma intervenção em uma festa que tem nome e sobrenome: festa clandestina. As pessoas apagam a luz da frente, para fingir que não tem ninguém lá. Muitos contratam seguranças sem capacitação e a gente encontra todo tipo de crime lá dentro. Mas recebemos muitos aplausos, a vizinhança apoia, grita.

Em dois anos e meio como deputado federal por São Paulo, o senhor apresentou 388 projetos de lei, mas só conseguiu aprovar um. Por quê?

Quem não faz parte da base fica para trás. O importante é a quantidade, que mostra a produtividade. Se você for comparar o que eu fiz e o que o Eduardo Bolsonaro fez, vai ver a discrepância.

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No ano que vem o senhor vai tentar a reeleição?

Não, vou concorrer a deputado estadual. Quero ver minha filha de 2 anos crescer. Quero estar perto da minha família. Acordar às 4 da manhã, pegar avião, ficar a semana em Brasília e voltar (para São Paulo) é muito desgastante.

Em 2014, o senhor disse que teve relação sexual com uma mãe de santo e que ela desmaiou. Depois disso, foi investigado pelo Ministério Público por apologia do estupro. O caso foi arquivado, mas causou revolta nas redes sociais e o senhor é lembrado até hoje como alguém que estuprou uma mulher.

Foi uma história fictícia. Eu me desculpei com todas as instituições afro, como umbanda. Foi uma piada de mau gosto que gerou a confusão. O MP investigou e concluiu que tudo não passou de uma infelicidade. Quem toca nesse assunto hoje é desinformado, tem maldade ou é bolsonarista.

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“A Claudia Raia não me esquece e precisa ser feliz com os casamentos dela, como sou com o meu”

Não houve relação sexual com a mãe de santo?

Claro que não. O (ex-deputado) Jean Wyllys e a (hoje deputada) Sâmia Bonfim viram e me acusaram. Mas quebraram a cara. Hoje, como deputado, abraço diversas causas. Fiz nesta semana um projeto de lei para determinar que toda cidade tenha uma delegacia da mulher funcionando 24 horas, sete dias por semana. Foram as mulheres que me pediram para eu criar o projeto.

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Seu passado como ator pornô é lembrado até hoje. Mesmo internamente, no seu partido, muitos políticos não querem aparecer ao seu lado por causa disso. O senhor se arrepende dos filmes? Faria de novo?

Não faria de novo, mas não me arrependo. Quem nunca assistiu a um filme? A grande pornografia é roubar o país, é fazer a rachadinha. De resto, irmão, o corpo é meu, a vida é minha, ganhei meu dinheiro, me diverti. Está tudo certo. As pessoas falam, mas ninguém quer saber se toda segunda-feira estou distribuindo quentinhas, cobertores. Só querem saber dessas coisas, como o casamento com a Claudia Raia.

A Claudia Raia falou diversas vezes do casamento de vocês (ocorrido nos anos 80). Disse que foi um devaneio, que vocês eram muito jovens e que ela chegou a trancá-lo fora de casa.

Ela não para de falar, não me tira da cabeça. Toda semana sai notícia sobre isso. Deve ter sido um casamento marcante para ela. Hoje vivo um casamento maravilhoso com a Fabiana. A Claudia Raia não me esquece e precisa ser feliz com os casamentos dela, como sou com o meu. O meu casamento não deixa nunca que eu me lembre dela.

Nos anos 80, o senhor era um dos atores mais famosos do Brasil. Por que sua carreira na Globo acabou?

Acabou porque eu tocava o foda-se e virei o bad boy da TV. Mas nunca fui demitido da Globo, apenas meu contrato não foi renovado. Depois eu voltei a fazer Malhação, em 1998. Trabalhei também na Record e no SBT. Já tive sucessos, fracassos, vitórias.

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De que forma as drogas atrapalharam sua vida?

As drogas acabaram comigo. Perdi dinheiro, amigos, trabalho, cheguei ao fundo do poço. Saí e estou há dezoito anos sem usar drogas. Dei a volta por cima.

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Publicado em VEJA São Paulo de 23 de junho de 2021, edição nº 2743

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