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Terraço Paulistano Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos, empresários e pessoas de outras áreas que são destaque na cidade. Por Humberto Abdo.

Manobrista comanda loja-bike sem vendedores estacionada na Oscar Freire

Bike-garden de Israel Joaquim fica parada na rua sem a supervisão de funcionários: "Por incrível que pareça, nunca fui roubado"

Por Humberto Abdo Atualizado em 17 dez 2020, 23h54 - Publicado em 18 dez 2020, 06h00

No comércio de Israel Joaquim Santana, 31, ter lucros envolve honestidade. Manobrista na Rua Estados Unidos, ele criou a Matos Urbanos, em 2018, com vasos de plantas vendidos a 20 reais em uma bicicleta. “De cactos a suculentas, do tipo que nem marinheiro de primeira viagem consegue matar sem querer”, brinca. Com um diferencial: as vendas são feitas sem nenhum funcionário. Na esquina da Oscar Freire com a Haddock Lobo, a bike-garden fica na calçada e uma caixa de acrílico é usada para os clientes depositarem o pagamento. “E, por incrível que pareça, nunca fui roubado”, conta.

Nascido em São Paulo, Santana passou parte da infância no Ceará. “Chegando lá, meu pai abandonou minha mãe, com sete filhos. Tínhamos de acordar cedo para buscar comida e vivíamos em uma casa de taipa.” De volta à capital, chegou a vender água na Marginal Tietê e ficou conhecido entre amigos como Renato. “Eu tinha muitas namoradas e dava nomes diferentes a cada uma, para não dar briga”, confessa. “Quando decidi casar, precisei revelar à esposa que eu não era Renato.” Hoje o casal mora em Itaquera com os filhos. “A Matos nos ajudou a sair da favela e a alugar uma casa com espaço para meu ateliê.”

Israel Joaquim posa sentado em bicicleta com bancada amarela, mini-lousa com nome
Israel Joaquim, também conhecido por Renato, é o criador da Matos Urbanos, bike-garden que vende vasos de plantas sem nenhum vendedor presente. Rogério Pallatta/Veja SP

A popularidade da loja móvel cresceu após o chef Alex Atala convidá-lo para estacionar a bike perto de um de seus restaurantes. “Mas as vendas caíram 90% na pandemia”, lamenta. Prestes a largar a profissão de manobrista, ele precisou retornar ao emprego nos Jardins e dispensar sua equipe. “Agora também pretendo vender xilogravuras e sonho em ter franquias quando puder.”

Publicado em VEJA São Paulo de 23 de dezembro de 2020, edição nº 2718.

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