Presentes e recompensas materiais não tornam nossos filhos mais felizes

Se ficar quietinho, ganha doce. Se fizer a lição, ganha um jogo em lançamento. Se passar de ano, ganha um tênis novo. Se for no vestibular, um carro… Recompensar materialmente os filhos por boa conduta ou por objetivos alcançados é uma estratégia que mais atrapalha do que ajuda no desenvolvimento e na educação. Embora presentear […]

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Se ficar quietinho, ganha doce. Se fizer a lição, ganha um jogo em lançamento. Se passar de ano, ganha um tênis novo. Se for no vestibular, um carro…

Recompensar materialmente os filhos por boa conduta ou por objetivos alcançados é uma estratégia que mais atrapalha do que ajuda no desenvolvimento e na educação. Embora presentear seja, em si, um ótimo jeito de fortalecer os vínculos, é importante que os pais manejem esse recurso com cautela.

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O que se ensina ao filho ao dar uma recompensa material por bom comportamento é que ele/ela deve se comportar bem para receber tal recompensa e não porque aquele modo de se comportar pressupõe valores como respeito ao próximo, honestidade, vínculos satisfatórios, etc.

Isso vale da infância à fase adulta. Na verdade, vale para qualquer idade e mesmo para outros vínculos (de amizade, familiares, amorosos, etc.).

Uma das razões que levam os pais a oferecer recompensas por bom comportamento é a “preguiça” em mostrar as razões pelas quais a criança deve se comportar bem. Porque ensinar e educar os filhos necessita de tempo e disposição, ou seja, a interação com os filhos e a família deve ser algo prioritário. Quando isso não acontecem, os pais tendem a buscar soluções mais simples, como as recompensas materiais.

Os presentes também podem servir como um tipo de compensação pela ausência. Pais que passam pouco tempo com seus filhos ou que têm dificuldade em expressar carinho e afeto podem tentar compensar essas lacunas com presentes caros, numa tentativa de expressar sua admiração e afeto.

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Crianças que são premiadas por bom comportamento acabam aprendendo a barganhar e tendem a desenvolver um esquema de valores baseado na posse e no sucesso financeiro como representativos do valor que a pessoa tem, sejam os outros ou si mesmos.

Esse processo deixa um vazio que vai se tornando angústia e leva invariavelmente ao sofrimento e ao adoecimento, uma vez que serão adultos que esperam ser recompensados por fazerem a coisa certa.

O ponto central da argumentação aqui é evitar a relação prévia entre bom comportamento e recompensa. Se isso, então aquilo. Esqueçamos o “se-então” e usemos em seu lugar coisas como “Isso é pra você.”, “Que bom que você agiu assim.”, “Fazer desse jeito é o modo de respeitar os demais.” ou “Estudar nos permite nos faz mais felizes.”

Estudar é o modo mais encantador de conhecer a natureza mas ensina-se os filhos a estudar para ganharem um carro ou ter sucesso. Relacionar-se bem com as outras pessoas é uma maneira de sentir prazer e satisfação mas ensinam-se os bons modos às crianças para serem bem vistos e se tornarem adultos de sucesso. Isso anula o sentido da vida aos poucos. Está aqui a fórmula certa para criar adultos infelizes.

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Mas a ideia não é educar os filhos em regime de restrição e austeridade material. Presentear faz bem mas deve vir na medida certa e de forma espontânea, não como recompensa direta por bom comportamento. A Neurociência e a Psicologia nos ensinam que a criança não sabe diferenciar o preço de um brinquedo que veio de brinde no chocolate e o preço de um videogame comprado no crediário. Então, mesmo presentes espontâneos podem ser simples; o essencial é o significado do gesto e a interação e não o presente em si.

Recompensas materiais facilitam a gestão dos comportamentos do filho mas diminuem sua felicidade. Presença e afeto, por outro lado, geram momentos de prazer e ensinam a criança a buscar em sua vida sempre aquilo que dê sentido à sua existência.

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