Astro pornô se torna palestrante erótico

Conheça a história de Nego Catra, ator premiado, com 30 anos de idade e treze de carreira, que planeja dar uma guinada no mercado

Aos 30 anos, o paulistano Negro Catra é um dos atores pornôs mais requisitados da indústria. Em treze anos de carreira, estrelou mais de cinquenta produções e levou prêmios. Ano passado, arrebatou os troféus de Melhor Filme de Fetiche e Melhor Filme Hétero no Prêmio Sexy Hot, o “Kikito” da categoria.

Apesar do sucesso, neste ano Catra decidiu se aposentar. “Por causa da pirataria e dos vídeos gratuitos na internet, os rendimentos dos atores da indústria caíram pela metade”, reclama.

Em março, ingressou no segmento de palestras. Cobra aproximadamente 2 000 reais para aulas teóricas sobre sexo para homens e mulheres. “As principais dúvidas delas são sobre preliminares e sexo oral. Homens têm curiosidade sobre como prolongar a ereção”, conta.

Além disso, prepara seu canal no YouTube, Vai Ser Gostoso, que deverá ser lançado até o fim de julho. “Será uma espécie de Programa do Bial sobre o segmento erótico, com entrevistas com atores, produtores e digital influencers do ramo”, conta o ator que possui quase 11 000 seguidores no Instagram.

A seguir, o “Catra mais apimentado” fala sobre sua carreira e planos:

Por que decidiu ser ator pornô?

Eu era promotor do Itaú, abordava pessoas na rua convencendo a fazer o cartão do banco. Em 2005, quando trabalhava perto da estação São Judas, encontrei o [astro pornô] Rogê Ferro. Sempre fui fã dos filmes dele e achava que ele tinha a melhor profissão do mundo (risos). O cara me indicou para fazer um teste em uma produtora.

O teste foi fácil?

Nada! Só me receberam depois da quinta visita. O diretor me apresentou uma atriz e pediu para fazer a cena ali, naquela hora. Comecei animado, mas depois, brochei. É muita gente no set, pessoal dando orientações, tudo muito profissional e corta o clima. O cara precisa ser muito concentrado. Pedi um intervalo, tomei meio azulzinho (Viagra) e terminei. No fim, chamaram para mais papéis, comecei a ganhar mais dinheiro do que no banco, larguei a faculdade de publicidade e investi na carreira.

Você ganhou muito dinheiro?

Mulheres são mais valorizadas do que homem nesse mercado. E acho isso certo, elas são o grande atrativo. Em 2010, ganhava cerca de 4 000 reais por mês. Mas por causa da pirataria e dos filmes de graça na internet, o rendimento despencou para 2 000 reais no ano passado. Aí, não dá para viver. Tem muito ator bom largando a carreira para voltar o mercado de trabalho, digamos, mais tradicional, com carteira assinada. Decidi partir para a carreira de palestrante e virar youtuber. Agora, só farei produções especiais, da Sexy Hot, que paga bem.

Por que esse nome artístico?

Eu me chamo Afonso Bispo dos Santos Junior. Sempre gostei do Catra, porque tem um vozeirão e faz sucesso com as mulheres. Ano passado, fui apresentado a ele numa boate em São Paulo. Fiquei com medo dele encrencar comigo. Mas ele gostou da homenagem e até me entregou o troféu no prêmio Sexy Hot.

E sua família? Como encarou sua escolha?

Só contei a eles ano passado, porque daria uma entrevista ao programa The Noite (SBT). Chamei todo o mundo para almoçar e falei “na lata”. Meus tios disseram que já haviam visto filmes meus. Minha mãe falou que já desconfiava, mas respeitava minha decisão.

Sofre preconceitos?

Volta e meia algum engraçadinho faz proposta nas minhas redes sociais. Respeito todo mundo, mas sou heterossexual. Além disso, as pessoas acham que todo mundo da indústria pornográfica faz “programa”. Não é assim. Já me ofereceram 10 000 reais por uma noite, mas não topei.

E na hora de arrumar uma namorada?

Fui casado até o ano passado com uma cabeleireira. Durou quatro anos. Logo no primeiro encontro, eu contei a verdade a ela. A reação? Quis ver meus filmes (Risos). Mas ela nunca teve preconceitos, tinha uma cabeça boa. Nem sei direito porque acabou esse casamento. Hoje, estou solteiro, mas bem.

Como imagina seu futuro?

Como os bons atores do exterior, quero lançar um “consolo” com minha marca. Acabei de lançar um ebook sobre vibradores em parceria com a Paula Aguiar, uma referência do mercado erótico que tem me ajudado muito. Além disso, curto a ideia de ensinar sexo. Muita gente morre de medo de ir para a cama, tem pavor de usar a imaginação ou se prende a uma série de tabus. Se as pessoas transarem melhor e com maior frequência, com certeza teremos um mundo melhor.

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