#SPSonha: arquiteto cria projeto para antiga Mesbla Veículos, no Cambuci

A vasta construção projetada por Arnaldo Gladosch nos anos 1940 viraria câmpus no sonho de Guilherme Paixão

Famílias inteiras transformavam a visita à Mesbla Veículos, na Avenida do Estado, em programa de fim de semana. Não admiravam apenas os carros importados em exibição. No mesmo local, aberto em 1944, em plena II Guerra, onde também havia oficina, a loja de departamentos vendia barcos e demais equipamentos náuticos, além de maquinário para o setor agrícola, com tratores em exposição.

O torreão da esquina e o revestimento marcante dos tijolos: a antiga Mesbla Veículos foi reduzida a estacionamento de fretados de templo evangélico

O torreão da esquina e o revestimento marcante dos tijolos: a antiga Mesbla Veículos foi reduzida a estacionamento de fretados de templo evangélico (Guilherme Paixão/Veja SP)

Faz pelo menos uma década que o vasto prédio que ocupa um terreno de 17 000 metros quadrados (maior que o quarteirão que abriga o Conjunto Nacional, na Paulista) se limita a servir de estacionamento para ônibus fretados por fiéis da Igreja Pentecostal Deus É Amor, dona do imóvel há mais de vinte anos. Antes da construção de seu megatemplo de arquitetura pouco inspirada no Parque Dom Pedro, a igreja fazia até três cultos simultâneos na antiga Mesbla, então sua sede provisória. O imóvel também já abrigou gráfica e poucos serviços administrativos.

O arquiteto, Guilherme Paixão projetou duas faculdades que ocupariam o prédio

O arquiteto, Guilherme Paixão projetou duas faculdades que ocupariam o prédio (Guilherme Paixão/Veja SP)

Um premiado trabalho final de graduação da Faap imaginou novos usos para o edifício subutilizado, que poderiam chacoalhar aquela região. Recém-formado, o jovem arquiteto Guilherme Paixão projetou duas faculdades que ocupariam o prédio. Uma dedicada a psicologia e coaching, “quebrando o paradigma brasileiro (majoritariamente de linha freudiana), para que incorporasse outras linhas, como a junguiana suíça e o behaviorismo americano, oferecendo serviços gratuitos à população pelos alunos mais adiantados”, escreve Guilherme.

A vasta construção projetada por Arnaldo Gladosch nos anos 1940 viraria câmpus no sonho de Guilherme Paixão

A vasta construção projetada por Arnaldo Gladosch nos anos 1940 viraria câmpus no sonho de Guilherme Paixão (Guilherme Paixão/Veja SP)

O mesmo prédio abrigaria um curso de engenharia da inovação (“correlações entre Humanas e Exatas enriquecem os dois lados”), com formação híbrida — mecânica, robótica, design industrial, computação, inspirado em escolas do MIT.

Projeto feito para reviver a área do Cambuci: Guilherme imagina um Rio Tamanduateí limpo

Projeto feito para reviver a área do Cambuci: Guilherme imagina um Rio Tamanduateí limpo (Guilherme Paixão/Veja SP)

“O ideal modernista de cidades universitárias matou parte da vida acadêmica que se misturava nos bairros”, diz Guilherme. O layout versátil das instalações já comportaria outros usos e cursos no futuro. Algo que poderia fazer aquela área deprimida do Cambuci reviver.

Com áreas abertas, os universitários teriam áreas de convivência

Com áreas abertas, os universitários teriam áreas de convivência (Guilherme Paixão/Veja SP)

Para financiar o seu sonho, o arquiteto pensou em parcerias público-privadas que surgiriam com a Operação Urbana Bairros do Tamanduateí, proposta pelo então prefeito Fernando Haddad, mas cuja votação hiberna na Câmara. Se os investimentos chegassem à área, a prefeitura poderia canalizar parte dos recursos arrecadados com a venda de permissão de construir mais. No seu TFG, o arquiteto imagina um Rio Tamanduateí limpo, com praças “molhadas” que serviriam de proteção contra alagamentos comuns.

Quem passa do lado de fora nos tempos de hoje não imagina o que se tratava o endereço

Quem passa do lado de fora nos tempos de hoje não imagina o que se tratava o endereço (Guilherme Paixão/Veja SP)

Esse sonho recuperaria essa obra do arquiteto Arnaldo Gladosch, que estudou no Mackenzie e se formou na Alemanha. Autor da Mesbla de Porto Alegre, ele se inspirava na arquitetura de Chicago. O rico trabalho de tijolos resistiu a anos de descaso.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 06 de novembro de 2019, edição nº 2659.

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