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São Paulo nas Alturas Por Raul Juste Lores Redator-chefe de Veja São Paulo, é autor do livro "São Paulo nas Alturas", sobre a Pauliceia dos anos 50. Ex-correspondente em Pequim, Nova York, Washington e Buenos Aires, escreve sobre urbanismo e arquitetura

#SPSonha: uma campanha educativa e divertida contra o lixo nas ruas

Em Austin, no Texas, uma ação criada em 1986 reduziu a sujeira recolhida em 72%

Por Raul Justes Lores - 10 Aug 2018, 06h00

A Avenida Paulista, sucesso de crítica e de frequência de segunda a domingo, e que mata de inveja as demais grandes vias paulistanas, semidesertas já ao escurecer, bem que merecia uma campanha de limpeza. Dos ambulantes aos hipsters, dos executivos aos estudantes, ninguém parece desconfortável em atirar o que sobra da embalagem do lanche ou o cigarro já consumido nas pobres calçadas.

A Pauliceia implora por uma campanha esperta como essa dos latões de lixo acima, em Austin, no Texas. Em um deles, o latão reclama: “Detesto aquele sentimento de vazio por dentro”. Que sujão não se sente invocado a resolver esse vazio existencial e atirar o lixo no lixo? Desde 1986, a campanha “Don’t mess with Texas” (“Não bagunce com o Texas” ou “Não se meta com o Texas”) usa das mais diversas formas para conscientizar (e ameaçar, com humor, mas também com multas) quem pensa em sujar as ruas e estradas do segundo maior estado americano.

Latões de lixo que conversam com o pedestre em Austin, no Texas: pró-limpeza com humor Divulgação/Veja SP

Celebridades locais, dos cantores Willie Nelson e George Strait aos atores Matthew McConaughey, Owen Wilson, Jennifer Love Hewitt e até o valentão Chuck Norris, gravaram vídeos, acrescentando ao slogan original “eu não me atreveria”. Até hoje, há concursos de cartazes em escolas públicas que mantêm a campanha na boca dos mais jovens.

Dados oficiais do governo texano mostram que o lixo recolhido caiu 72% no período, uma economia e tanto com gastos de limpeza para o rico estado petroleiro. Algo certamente mais necessário em São Paulo, onde o lixo entope até o frágil encanamento da cidade, alagando ruas à primeira chuva. As bilionárias verbas de publicidade oficial no Brasil ainda são desperdiçadas com campanhas de feitos retroativos, que dizem o que o governo X construiu, asfaltou ou inaugurou. Bem melhor se elas olhassem para o futuro, educando.

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