Edifício projetado por Franz Heep é exemplo de otimização do espaço

O predinho na esquina das ruas Augusta e Antônio Carlos não seria construído sob a legislação de hoje

Projetado em 1953 pelo arquiteto Franz Heep, o predinho na esquina da Augusta com a Antônio Carlos é prova de quanto nossa legislação regrediu. A área construída tem quase oito vezes o tamanho do pequeno terreno, de 650 metros quadrados. Com essa otimização de espaço, couberam dezenas de apartamentos de cinco tamanhos (entre 30 e 90 metros quadrados).

A área construída tem quase oito vezes o tamanho do pequeno terreno

A área construída tem quase oito vezes o tamanho do pequeno terreno (Raul Juste Lores/Veja SP)

Sem nenhum recuo frontal ou lateral, o térreo abriga vários comércios, de café a restaurante, mantendo viva aquela calçada em horários elásticos. As leis posteriores limitaram a ocupação dos lotes, espichando os prédios para cima e exigindo recuos, habitualmente fechados por grades ou muros.

Predinho projetado em 1953 pelo arquiteto Franz Heep

Predinho projetado em 1953 pelo arquiteto Franz Heep (Raul Juste Lores/Veja SP)

Pelas regras atuais, esse mesmo terreno comportaria um prédio com um quarto do tamanho. Deixando tudo mais caro, ou inviável. Vários lotes estreitos acabaram virando estacionamentos — mesmo com a alta demanda por moradia em áreas centrais.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 26 de junho de 2019, edição nº 2640.

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  1. Essa é, de longe, minha maior frustração com a cidade de São Paulo. Bate uma tristeza tão grande olhar pra ícones, como o Copan e o Edifício Planalto, e perceber que eles não poderiam ser construídos hoje. Fico pensando: quantos novos prédios icônicos não estamos perdendo por conta dessa limitação absurda? Em vez de honrar cada um dos nossos valiosos centímetros quadrados, nós os estamos esbanjando, desperdiçando. Uma pena que a prefeitura não veja isso.