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15 coisas para entender o Recife e os recifenses

1. Megalomaníaco, eu? Para começar a conversa, que fique claro: recifenses, em geral, são megalomaníacos. Talvez isso tenha raízes no movimento regionalista encabeçado por Gilberto Freyre, vai saber! Mas quem vive no Recife adora dizer, entre outras coisas, que a cidade tem o maior bloco de carnaval do mundo (isso é verdade, o Galo da Madrugada) […]

Por Redação Atualizado em 26 fev 2017, 15h23 - Publicado em 23 jul 2015, 18h58

1. Megalomaníaco, eu?

Para começar a conversa, que fique claro: recifenses, em geral, são megalomaníacos. Talvez isso tenha raízes no movimento regionalista encabeçado por Gilberto Freyre, vai saber! Mas quem vive no Recife adora dizer, entre outras coisas, que a cidade tem o maior bloco de carnaval do mundo (isso é verdade, o Galo da Madrugada) e a maior avenida em linha reta – a Avenida Caxangá. O fato é que essa avenida nunca foi a mais longa e, para ironizar a megalomanía quase coletiva, existe até um filme chamado “O Melhor Documentário do Mundo”.

Foto: Milton Marsilha

O Galo da Madrugada: o maior bloco de Carnaval do mundo! (Foto: Milton Marsilha)

2. Bolo de rolo não é rocambole 

Um recifense não admite essa comparação de jeito nenhum, apesar do formato semelhante. Enquanto o rocambole é feito com um único pão de ló enrolado, o bolo de rolo tem pelo menos quatro lâminas finíssimas de outro tipo de massa, o que exige muito mais habilidade das doceiras. Não por acaso, a deliciosa sobremesa é tida como patrimônio imaterial do Pernambuco desde 2007.

Crédito: Heudes Regis

Bolo de rolo, da Casa dos Frios : NÃO É ROCAMBOLE!!! (Crédito: Heudes Regis)

3. Hellcife e Raincife

Na brincadeira dos recifenses, a cidade possui apenas duas estações próprias: no verão, “Hellcife”, devido ao intenso calor que impera na maior parte do ano. Já no inverno, que é marcado por intensas chuvas, vira “Raincife”.

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4. Praia sem banho de mar

E no “Hellcife”, que dura quase o ano inteiro, todo mundo corre para a praia e… fica na areia! Recifense que é recifense sabe que, nos últimos anos, ao menos sessenta ataques de tubarão foram registrados nas praias da cidade. Por isso, o surfe por lá foi proibido e a maior parte dos moradores passa longe da água. Em vez disso, os recifenses tomam conta da areia para pegar sol, tomar cerveja e, claro, comer de tudo. As barracas e ambulantes oferecem caldinhos de feijão, camarão frito, ostra, queijo assado, amendoim…

Crédito: Leo Caldas

A praia de Boa Viagem: pode ter tubarão sim! (Crédito: Leo Caldas)

5. Raspa-raspa para refrescar

A refrescante bebida, preparada na frente do freguês, consiste no gelo raspado e misturado a essências coloridas de diferentes sabores. O raspa-raspa, em outras cidades do país conhecido como raspadinha, costuma ser vendido em carrocinhas nas praias e outros lugares de grande concentração de pessoas, e tem gosto de infância.

Raspa-raspa: sucesso na praia e no imaginário infantil dos recifenses (Crédito: Alfredo Franco)

Raspa-raspa: sucesso no imaginário infantil dos recifenses (Crédito: Alfredo Franco)

6. Tapioca boa é a do Alto da Sé

Tem tapioca por todo lado no Recife, mas os recifenses gostam mesmo é das tapiocas feitas no Alto da Sé, na vizinha Olinda. A mais pedida é recheada com queijo e coco. Não tente entender muito bem por que lá é melhor. Peça a sua e curta a vista – lá do alto, dá para ver Recife e Olinda.

Crédito: Heudes Regis

De queijo com coco, a mais pedida no Alto da Sé (Crédito: Heudes Regis)

7. Cartola, só no prato

Não fosse formal demais, o uso de uma cartola poderia até ser útil nos dias ensolarados do Recife. Mas os recifenses preferem a cartola é no prato. Não entendeu? Tem esse nome a sobremesa que surgiu nos tempos das casas-grandes e senzalas. Ela é feita com banana frita coberta de queijo (pode ser de coalho ou manteiga) e polvilhada com açúcar e canela. Em 2009, o doce foi considerado patrimônio imaterial de Pernambuco.

Crédito: Ligia Skowronski

A cartola, do Leite: sobremesa querida no Recife (Crédito: Ligia Skowronski)

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8. Escondidinho ou arrumadinho?

Claro que tem pastelzinho, bolinho e outros quitutes típicos de boteco nos bares recifenses. Mas, para acompanhar a cerveja, os recifenses preferem mesmo é um escondidinho ou um arrumadinho, que são pratos substanciosos, apesar do diminutivo. O primeiro intercala camadas de um creme feito com macaxeira (mandioca ou aipim) e carne de sol ou charque. O arrumadinho leva uma dessas carnes mais feijão-macáçar ou verde, farofa e vinagrete.

Crédito: Romero Cruz

O arrumadinho do Bar do Tonhão: “inho” só no nome (Crédito: Romero Cruz)

9. Sushi carioca

Coube ao chef André Saburó, do Taberna Japonesa Quina do Futuro, introduzir esse sushi no cardápio dos restaurantes japoneses da cidade. De carioca, ele só tem o nome. Tipo de uramaki de salmão com cream cheese, empanado por fora, esse sushi faz o maior sucesso entre os recifenses. e, em outras capitais, é conhecido como hot roll.

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10. Bolo de bacia

Muito antes da moda do cupcake, os recifenses já encontravam em lanchonetes populares um bolinho assado dentro da própria forma – o chamado “bolo de bacia”. O nome se refere à maneira simples de preparo da massa, que é batida à mão, em uma bacia mesmo.

Crédito: Alfredo Franco

Bolo de bacia: um clássico muito antes da moda do cupcake (Crédito: Alfredo Franco)

11. O recifense não dança frevo…

O frevo é um ícone do Recife e, bairristas que são, os recifenses têm o maior orgulho disso. No entanto, por mais que se empolguem com o ritmo, a maioria dos recifenses não sabe dançar o frevo como um passista; em vez disso, não faz mais do que se remexer com os dois dedinhos para cima, para a frustração dos turistas.

Crédito: Juliano da Hora

Sombrinha de frevo no Marco Zero: eles têm orgulho do ritmo, mas nem sempre sabem dançar (Crédito: Juliano da Hora)

12. O recifense também não diz “oxente”

Outra surpresa de quem chega à capital é se dar conta que os locais não usam tanto o “oxente!” tão comum aos nordestinos. Aliás, recifenses adoram “mangar” de quem tenta imitar o sotaque local falando “oxente”. Para eles, o mais comum é usar “oxe!”.

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13. Mas tem um dicionário próprio

No Recife, “mangar” significa rir de alguém, mosquito é chamado de muriçoca, o caloteiro que não paga a conta é tido como “xexêro” e fuleiro ou farrapeiro é uma pessoa que não honra o combinado. Quer mais? “Emperiquitado” é alguém muito arrumado; seu oposto é “malamanhado”. E se alguém estiver com muita restrição sobre algo ou alguém, ouvirá um “deixe de pantim”. O livro “Dicionário do Falar Pernambucano”, de Paulo Camelo, reúne mais de 2 300 verbetes como esses.

14. E há palavras do “dicionário recifense” com múltiplos significados

“Arretado” pode ser algo muito bom ou expressar desgosto ou irritação. “Massa” é usado para descrever algo ou alguém agradável e também para concordar com algo (como um “tudo bem” ou “beleza”). E “pronto” pode ser uma confirmação (como um “ok”) ou virar uma interjeição, em situações de indignação. Por exemplo: “Pronto, agora vão acabar com a nossa festa”.

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15. Visse?

Não bastasse ter um dicionário próprio, o recifense também criou a sua gramática. Um caso peculiar é o uso do pretérito do subjuntivo no lugar do pretérito do indicativo para a 2ª pessoa. Assim, em vez de perguntar “Foste lá?”, na linguagem coloquial é “fosse lá?”. Foi dessa forma que surgiu o famoso “visse”, muito usado no final das frases. “Agora ficasse sabendo um monte de coisa que só o recifense sabia, visse?”

Por Mirella Falcão, para Veja Recife

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