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O desabafo desta professora está dando o que falar no Facebook

"Eu sempre sonhei em ter uma sala de aula só para mim, e agora o meu coração está despedaçado por ter ficado tão desiludida após apenas dois anos"

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 9 abr 2018, 17h50 - Publicado em 9 abr 2018, 17h26

Após discutir com a mãe de um de seus alunos, a professora Julie Marbuger perdeu a paciência. A profissional fez um longo desabafo em seu Facebook falando sobre como seu sonho de ter sua própria sala de aula foi “sufocado” pela convivência com pais, mães e estudantes desinteressados. A jovem, que dá aulas para alunos de 11 anos de idade no Texas, Estados Unidos, está dando o que falar na internet.

Fui embora mais cedo do trabalho hoje depois que um incidente com um pai. Acabou com meu dia. Eu já havia tomado a decisão de deixar meu trabalho de professora até o fim deste ano, mas, depois deste dia, eu não tenho certeza se conseguirei aguentar por tanto tempo. Os pais se tornaram muito desrespeitosos. E as crianças são ainda piores. Os donos da escola parecem sempre ficar ao lado dos pais para deixá-los felizes, o que não me permite que eu faça o que fui contratada para fazer… ensinar“, escreveu a mulher na publicação que já tem mais de 415 000 compartilhamentos em poucos dias.

Na sequência, Julie explica por que está anexando fotos de sua sala de aula no post: “Essa é a aparência da minha sala de aula. Lembrem-se que muitos dos itens destruídos ou danificados pelos meus alunos são meus e foram comprados por mim, porque eu não tenho nenhum orçamento para dar aulas. Geralmente, reclamo com os pais sobre isso. Para minha infelicidade, uma mãe achou que era errado eu responsabilizasse o filho dela pelo comportamento dele e decidiu me dizer isso de maneira bem rude, na frente do meu aluno”. 

Os boletins serão entregues no fim dessa semana e quase metade dos meus alunos vai repetir por causa de muitas lições de casa que não foram entregues. A maioria destes alunos e seus pais não se importa com isso. Ligações telefônicas foram uma última tentativa. Mas agora eu provavelmente vou passar a minha próxima semana inteira recebendo ligações e e-mails de pais irados, querendo saber por que reprovei os filhos deles. Meus chefes vão exigir uma explicação. E o comportamento na minha sala de aula ficará ainda mais deteriorado“, avaliou a profissional sobre a relação entre pais e professores.

Julie também desabafou sobre os salários baixos que professores aceitam para realizar o sonho de ensinar: “Nunca ouvi falar numa profissão em que as pessoas colocam tanto seu coração e alma no trabalho, tirando tempo e recursos de suas casas e famílias, e sendo pagos uma quantia tão insignificante e insultante. Professores são algumas das pessoas mais gentis que eu já conheci, mas eles são tratados com desrespeito. A maioria dos pais não aguenta passar algumas horas de seus dias com seus filhos, mas nós passamos oito horas com eles e com outras 140 crianças como eles. É pedir muito um pouco de cortesia e uma conversa civilizada?”. 

Eu sempre sonhei em ter uma sala de aula só para mim, e agora o meu coração está despedaçado por ter ficado tão desiludida após apenas dois anos. Isso também é o que eu escuto dos outros professores, e eles estão abandonando a profissão em massa. Haverá uma crise de professores neste país em pouco tempos se esse abuso não chegar ao fim“, escreveu. “As pessoas têm que parar de mimar os seus filhos. É um problema que irá se espalhar pela sociedade como um incêndio. Não é justo com a sociedade e, mais importante, não é justo ensinar às crianças que esse comportamento está certo. Isso não irá ajudá-las a ter uma vida feliz e de sucesso“.

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Muitos dirão que eu não deveria compartilhar esse tipo de coisa nas redes sociais. Que eu deveria promover a educação e deveria me manter positiva. Mas eu não me importo mais. Qualquer paixão que eu já tive por esse trabalho foi tirada de mim. Mas eu posso ser a voz da razão. Isso precisa parar!“, finalizou a mulher na publicação. Confira: 

Após a repercussão do desabafo, Julie voltou ao Facebook para falar que estava surpresa pelo sucesso do post: “Eu não planejei ser a porta-voz de nada. Não sou a pessoa mais qualificada para fazê-lo, e eu definitivamente não sou a melhor professora, nem de perto. Mas obviamente as minhas palavras, ditas em um dia de desespero, foram importantes para muitas pessoas“.

Ela também pediu desculpas aos pais sérios, com quem formou parcerias de sucesso nos últimos dois anos. “Gostaria de dizer que eu tenho muitos alunos incríveis, esforçados e respeitáveis, que aparecem todos os dias na sala de aula e dão o seu melhor, assim como muitos pais que me dão apoio. Sou grata por eles e espero não tê-los ofendido. Mas a minha frustração também foi por eles. Porque as ações de alguns estão dificultando a experiência educacional“.

  • Ao fim da publicação, ela aponta três motivos pelos quais seu desabafo reverberou com tantas pessoas: “Eu acho que meu post repercutiu tanto porque ele fala de três problemas sérios que nós precisamos lidar na nossa sociedade. Primeiramente, o sistema educacional como nós conhecemos precisa de uma reforma. Ele está falido e é inadequado para as nossas crianças. Em segundo lugar, nós precisamos responsabilizar os nossos filhos. Inflar o sucesso deles não aumenta a autoestima. Se aumentasse, nós não teríamos o maior índice de suicídio entre adolescentes na história atualmente. E em terceiro lugar, nós precisamos voltar a nos tratar com educação e respeito. Nós só vamos piorar se continuarmos a nos tratar com ódio. Ninguém ganha quando a bondade morre“.

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