Ex-petista desiludida vende 200 camisetas de Jair Bolsonaro por dia

Ambulante, que se diz "enganada" pelo ex-presidente Lula, já faturou 60 000 reais

A vendedora Quila Ferreira Lopes, de 57 anos, trinta deles atuando como camelô na Rua 25 de Março, no centro, vendia até duas semanas atrás bichinhos de pelúcia. Com a proximidade das eleições e o aumento das intenções de voto de seu candidato, Jair Bolsonaro (PSL), resolveu trocar os objetos, sem mudar de ramo. Saem cachorrinhos, ursinhos e zebras, a maioria fabricada na China, e entram camisetas com a foto do capitão reformado do Exército e outras estampas. Cada uma sai por 20 reais. Pela metade do preço, Quila oferece dois modelos de máscara de Bolsonaro.

Desde que decidiu-se pela venda dos objetos do candidato, a ambulante já vendeu mais de 3 000 unidades, o que dá uma média de 200 camisetas por dia e um faturamento total de 60 000 reais. “Se ele ganhar no primeiro turno vai ser melhor ainda”, prevê Quila, que já se prepara para aumentar a produção. “Compro as camisetas e eu mesmo mando estampar”, afirma. O modelo campeão, ao contrário do que muita gente imagina, não é a camiseta com a imagem do militar. “A que mais sai é a verde e amarela, com os dizeres ´meu partido é o Brasil´, a mesma que ele usava no dia em que foi esfaqueado”, diz.

 (Sérgio Quintella/Veja SP)

Desiludida com a política, a comerciante, que diz ser regularizada pela prefeitura, votou nas últimas sete eleições presidenciais no PT. “Sempre fui Lula, desde 1989 e durante seus dois mandatos. Depois votei na Dilma, mas após a roubalheira descarada eu hoje me sinto com vergonha de falar que já fui eleitora do Lula. Ele roubou, está preso e deixou a gente na mão. Hoje me sinto enganada”, afirma.

Enquanto esteve em frente à banca da comerciante, a reportagem encontrou um homem que levou cinco modelos. Na sequência, uma mulher de sotaque carioca, que não quis se identificar, comprou meia seis. “Vou levar para minha família votar bem vestida”, afirma.

Segundo a legislação brasileira, “é permitida, no dia das eleições, a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato, revelada exclusivamente pelo uso de bandeiras, broches e adesivos”. A lei não permite, durante o horário de votação, manifestações coletivas.

Sobre o uso de camisetas de candidatos, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga afirmou na quinta-feira (4) que as pessoas podem vestir camisetas de seus candidatos no dia da votação, mas os postulantes ou seus apoiadores não podem distribuir as peças. “Caso o presidente da seção proíba a entrada do eleitor com camiseta, ele pode solicitar a presença da polícia para garantir seu direito. As máscaras de candidatos, no entanto, não podem ser utilizadas no momento da votação”, afirma o advogado Arthur Rollo, especializado em legislação eleitoral.

 (Sérgio Quintella/Veja SP)

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