Mesmo proibido, “Diário de Tremembé” continua sendo vendido

Livro que conta história do presídio onde detentos famosos como Roger Abdelmassih cumprem pena é alvo de ação na Justiça

A defesa do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a mais de 100 anos de prisão por sucessivos estupros, entrou com uma representação na Justiça afirmando que o livro “Diário de Tremembé – Presídio dos Famosos”, cuja venda foi proibida este mês, continua a ser comercializado nos sites Americanas.com e Submarino. A obra, de autoria do jornalista Acir Filó, ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos e que estava detido no local, mostra detalhes da rotina de diversos internos. Em uma citação, por exemplo, o autor, que foi transferido para outra cadeia, afirma que a doença cardíaca de Abdelmassih foi “fabricada” para que ele pudesse cumprir pena em casa.

Depois disso, a juíza responsável pela execução da sentença suspendeu o benefício e mandou o ex-médico ser internado em uma unidade penal para que fizesse novos exames. Na petição, a defesa de Abdelmassih pede que o Judiciário oficie as empresas que não respeitaram a determinação anterior. Procurada, a B2W, dona das marcas Americanas.com e Submarino, não respondeu por que continua comercializando os livros, apesar da decisão judicial, mas enviou a seguinte nota: “O marketplace da B2W Digital é uma plataforma na qual os sellers (lojistas parceiros) vendem diretamente seus produtos em várias categorias. Se e quando identificada qualquer desconformidade, a companhia adota as providências necessárias, seja de retirada de itens e até o descredenciamento dos sellers”.

Depois que a comercialização do livro foi proibida, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani chamou os personagens citados na obra e perguntou um a um quem gostaria de processar Filó, alvo de diversas ações cíveis e criminais, por danos morais. Dos que responderam sim, o primeiro foi o médico Carlos Sussumo Hasegawa, que analisou a situação clínica de Abdelmassih e fez as alegações da falsa doença no livro.

Entre os que afirmaram não ter interesse em novos processos estão Gil Rugai (condenado pela morte do pai e da madrasta), Cristian Cravinhos (caso Richthofen), Alexandre Nardoni (matou a filha Isabela) e Mizael Bispo dos Santos (assassino de Mércia Nakashima). Lindenberg Alves, que sequestrou e matou a ex-namorada Eloá, em 2009, disse que vai analisar o caso com sua defesa.

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