Conheça Fabiana Batistela, a mulher da Semana Internacional da Música

A feira, que traz painéis sobre o mercado da música, começa nesta quarta (5)

A partir desta quarta (5), quem trabalha com a música vai ter a agenda cheia. A SIM – Semana Internacional da Música – começa a sua programação de painéis, palestras, bate-papos e, claro, shows, pensados para criar conexões entre artistas e mercado. Em sua sétima edição, serão noventa encontros no Centro Cultural São Paulo, no Paraíso, e cerca de 300 atrações musicais espalhadas pela cidade.

Por trás do evento está a publicitária (e apaixonada por música) Fabiana Batistela. Aos 41 anos, ela trouxe o conceito da feira depois de acompanhar o MaMA, em Paris, também voltada para a música. “Era bem mais do que um galpão com um palco: havia ali debates de tendências e tecnologia”, conta Fabiana, que conseguiu armar por aqui a primeira edição da SIM com o apoio do governo francês. “Foram eles que abriram as portas para a gente na prefeitura daqui”, completa.

 (Patrícia Soranss/Veja SP)

A primeira edição, ela conta, chegou a ter cerca de 400 pessoas, principalmente curiosos com o mercado. “Diferentemente desta atual programação, a gente começou muito com o be-a-bá do mercado: o Spotify ainda não estava aqui, a Deezer estava chegando, as distribuidoras estavam começando a entrar no digital. Ninguém sabia o que ia acontecer”, explica. Agora, ela garante que há painéis para todos os gostos:  para o artista que está começando e para os empresários em busca de novos negócios.

Adaptar o formato para as necessidades do nosso mercado ainda é um desafio. Em três anos de feira, eles trocaram a Praça das Artes pelo Centro Cultural São Paulo e espalharam os shows pela cidade.  “Eu viajo o ano inteiro para feiras e congressos para conseguir trazer os melhores debates para cá”, diz Fabiana. “Penso que só perde para o SXSW, que tem a parte de música realmente muito completa” diz.

Entre os desafios colocados está discutir o que será a música do futuro. “Não tem um sertanejo porque não há inovação no gênero, mas tem por exemplo o ÀTTOXXA, que é inovador e aborda de forma diferente o pagode baiano, ou então, o Afrocidade, com o axé, com uma releitura diferente”, defende ela.

 (Caroline Bittencourt/Veja SP)

As ondas latinas e africanas, por exemplo, são duas tendências que ela viu durante as suas viagens e que aponta como uma das inovações interessantes da música. “Trouxemos também um painel chamado Conexões Internacionais, de regiões que estão fora do eixo Europa-América do Norte. Vamos ter pessoas da palestina, com artistas que montam a Palestine Music Expo e que estão rodando o mundo contanto a história deles e como a música tem mudado a vida dele”, diz. Também entram neste painel artistas da Ilhas Canárias e Bete Achitsa, do Quênia, que auxilia meninas a ser DJs no país, além de organizar a ONGEA, uma conferência musical na África.

Um obstáculo já vencido foi a representatividade feminina. Desde 2016, 50% da equipe de produção, palestrantes e números artísticos são mulheres. “Normalmente tem uma mulher na empresa, mas é sempre o cara que mostra a cara. Então, decidimos que tem que ser ela para mostrar”, diz. “Elas fazem a mesma coisa, têm as mesmas funções e às vezes trabalham até mais, precisamos colocá-las da linha de frente”, explica. Ex-estagiária da finada revista Bizz, ela conta que a ideia veio da analise da própria carreira, dominada por homens. “Quando eu entrei no mercado, tinham só duas mulheres para se admirar”, conta. “É preciso mostrar que elas também tocam instrumentos, compõem, montam palco.”

 (Caroline Bittencourt/Veja SP)

Para reforçar ainda mais o protagonismo feminino, a programação convocou Vanessa Reed, da organização Keychange, que busca incentivar a divisão de igualdade de gênero dos line-ups dos festivais. “Quantas vezes uma mulher ouviu de um cara ‘tem que falar com o chefe’ e ela era a chefe?”, explica.

Paulistana, Fabiana saiu da Bizz e entrou de vez na música ao montar o festival Upload, no Sesc Pompeia, para reunir bandas novas em 2001. Na segunda edição, recebeu Los Hermanos no espaço. Depois, começou a trazer para cá bandas internacionais, entre elas, em 2004, os Pixies, para um show em Curitiba. “Foi ai que conseguimos realmente ganhar dinheiro para montar a produtora”, diz. Segundo ela, foram mais de cem bandas em dezesseis anos. “Weezer, Cardigãs, The Hives…”

Para o futuro próximo, as perspectiva são animadoras, especialmente na América Latina. “Precisamos investir na tecnologia acessível, como por exemplo, melhorar a internet nos celulares, desta forma, aumentar o número de pessoas ouvindo música”, afirma. Além disso, ela destaca o sentimento de coletividade dentro da música que tem fortalecido o mercado. “Essa consciência de união, dos artistas e posicionamento da vida, mais do que o estilo, é o futuro”, diz.

Para conferir a programação da Semana Internacional de Música, que rola de quarta (5) a domingo (9), incluindo os shows espalhados pela cidade, só clicar aqui. 

 

 

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