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Megadeth chega ao país com brasileiro na guitarra; confira entrevista

Quando tinha 13 anos de idade, Kiko Loureiro passou por uma avaliação para entrar em uma escola aqui na capital. O teste era escrever uma redação sobre “um novo dia”. Fã de rock, ele costumava ler revistas que contavam sobre os festivais de metal, como eram, quem tocava, com direito a fotos do palco e do público. […]

Por Juliene Moretti Atualizado em 26 fev 2017, 11h00 - Publicado em 3 ago 2016, 13h40
Kiko, Mustaine, e Ellefson:  show no dia 7 de agosto (Foto: Divulgação)

Kiko, Mustaine, e Ellefson: show no dia 7 de agosto (Foto: Divulgação)

Quando tinha 13 anos de idade, Kiko Loureiro passou por uma avaliação para entrar em uma escola aqui na capital. O teste era escrever uma redação sobre “um novo dia”. Fã de rock, ele costumava ler revistas que contavam sobre os festivais de metal, como eram, quem tocava, com direito a fotos do palco e do público.

Decidiu então escrever sobre aquele que mais chamou sua atenção: Monsters of Rock, em Castle Donington, na Ingalterra. Preocupada com a descrição, a coordenadora do colégio convocou a mãe do garoto e aconselhou a procurar um psicólogo. “Em vez disso, ela me deu uma guitarra e anos mais tarde eu estava me apresentando em Castle Donington com uma das maiores bandas do mundo”, conta Loureiro, carioca criado em São Paulo, que hoje faz parte do Megadeth.

Após passar mais de duas década na banda brasileira Angra, Kiko assumiu um posto no grupo californiano em abril de 2015 e participou de toda a produção do Dystopia, o 15º álbum. Pouco mais de um ano depois, ele vem ao país com a turma para uma apresentação no Espaço das Américas, no dia 7 de agosto.

Você entrou em um momento um tanto tenso para o Megadeth. O Super Collider não tinha ido muito bem e então, chegou o Dystopia e arrebentou. Como foi?

Eu não participei em nada do anterior. Não tenho como falar o que aconteceu. Mas existia no grupo uma preocupação. Tínhamos que questionar o que era o Megadeth e recuperar o espírito. Toda banda tem pilares que dão a ela sua identidade e precisam mantê-la até o seu fim. É diferente de um artista solo, que pode experimentar em um disco e mudar completamente em outro. Foi muito trabalho para fazer este disco.

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Como foi se adaptar à banda? Ser brasileiro prejudicou ou ajudou?

Se eu fosse definir uma banda americana, esta seria o Megadeth. Eles carregam isso não apenas no som, mas também nas letras. Comigo são muito receptivos. Existem conversas que eu não entendo, não tenho referência. Falar de um desenho animado ou programa de televisão, por exemplo, cujos nomes aqui eram diferentes, eu fico de fora da piada. Com o trabalho, se conquista o espaço. Eles são tradicionais e profissionais. Além disso, tem a diferença de geração. Os dois [Mustaine e Ellefson] são mais velhos e tiveram altos e baixos na carreira. Eu estou preparado para correr junto e eles entenderam isso. Quando dou a minha opinião é em prol da banda.

Mustaine: política e controle da banda (Foto: Divulgação)

Mustaine: política e controle da banda (Foto: Divulgação)

Como integrante novo da banda, você já entrou ajudando em composições – fato meio raro com Mustaine. Como foi?

Eu fui encontrando meu espaço. Ele compôs 100% do disco e eu consegui criar três músicas [Post American World, Poisonous Shadows e Conquer or Die]. Eu estudei muito os caras e fui falando aos poucos o que eu achava. Eles se ligaram que era para o bem e ficaram mais abertos. Eu não cheguei com tudo. Afinal, eles têm trinta anos de carreira em uma das maiores bandas de metal do mundo. Como eu ia impor qualquer coisa?

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Como foi a recepção do público? Houve alguma reação por ser brasileiro?

Eu não sou bem um novato na carreira, mas existe certo sotaque na música, sim. Porém, só aqueles que estão bem ligados a música, estudiosos mesmo, que conseguem notar esta diferença. Agora, sobre a recepção, especialmente com o público latino-americano, eu senti um calor maior. Talvez algum orgulho de ser latino também e ver que o cara chegou lá. Quando eu toquei na Turquia ou em Israel, já não senti essa recepção. E é para ser assim.

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Loureiro: novato no Megadeth (Foto: Richner Allan)

Mustaine é conhecido por seu temperamento difícil. Como é a sua relação com ele?

Comigo ele nunca estourou. Eu já vi ele brigando com pessoas ao meu redor por causa de erros que se repetem e se repetem. O cara vê aquilo e quer saber os motivos. Ele é um líder, quer saber de tudo. Tem muita gente envolvida na produção. Megadeth é uma empresa. Para se ter uma ideia, o baixista machucou o pé durante uma apresentação e o Mustaine não saiu do celular para saber para qual hospital iam levá-lo e ainda fez massagem no pé do cara. Eu, ali, talvez por ser brasileiro-carioca-paulistano, sou mais calmo. Na hora do nervosismo, eu sou o que respira e para para pensar e tento acalmar nos momentos mais tensos. Eles até me agradecem depois.

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Qual a expectativa de tocar em São Paulo?

Eu acho que é uma das maiores emoções. Até porque fui criado em Perdizes, quase a dois quarteirões dali. E tocar ali com o Megadeth, eu sinto que cheguei lá. Já foram oitenta shows em menos de um ano.

Megadeth é uma banda muito política. Mustaine era declaradamente republicano. Como você lida com isso?

Ele tem opiniões fortes e está sempre com a TV ligada no jornal – na Foxnews. As pessoas pedem a opinião dele. Sobre as eleições deste ano, tem de perguntar a ele. Eu sei que definitivamente não é Hillary. Mas o Trump, também… ele é uma figura que foge um pouco da curva. O Mustaine não vai impor o que ele acha a você, mas dá seu discurso no palco. E é até interessante quando a gente faz shows em alguns países em que existe clima de confronto. Na China, por exemplo, a gente não pode tocar algumas músicas, e no caso de pelo menos uma delas, optamos pelo instrumental, sem a voz do Mustaine. As nossas projeções remetem a guerras, tem tanques e explosões. Foi bem estranho chegar com essas imagens em países como Turquia e Israel. Por outro lado, serve também para eles se questionarem.

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