Conhece o cantor Jão? Pois devia, ele é a nova aposta do pop nacional

Do interior de São Paulo, o cantor esgota ingressos de shows depois de arrebentar nos vídeos para o YouTube

Faltava mais de um mês para a estreia do cantor Jão no palco do Cine Joia quando ele recebeu a notícia de que os ingressos para a noite, sexta-feira (28) já estavam esgotados. Para a segunda data aberta, domingo (30), a mesma situação: casa lotada. “Um ano atrás, fiz minhas primeiras apresentações como profissional, uma tinha onze pessoas, a outra, 35”, lembra o artista, com sorriso discreto. “A experiência foi muito boa porque, além de eu ter me divertido muito, aprendi a lidar com a plateia.”

Sucesso na internet com o público jovem, Jão tem o pop como influência, com letras que falar sobre relacionamento, mas nem sempre em perspectivas positivas ou alegres, como o estilo pede. A faixa Vou Morrer Sozinho foi uma das que agradou – tem mais de 6,5 milhões de visualizações no YouTube. Nela, o personagem martiriza-se por gostar de quem não o ama e se afastar toda vez que alguém se apaixona por ele, sendo até mesmo alertado pela mãe. “Se você me amar demais/Eu paro de te amar/Um amor fácil me apavora“, diz um dos trechos.

Quando foi divulgada, no início do ano, a música foi o assunto mais comentados no mundo dentro do Twitter. Seu álbum, Lobos, quando lançado, colocou novamente o cantor no topo, figurando o terceiro lugar na loja virtual do iTunes, atrás apenas das estrelas Ariana Grande, que também havia mostrado novo CD, e Aretha Franklin, que morreu em 16 de agosto, um dia antes da estreia do trabalho do brasileiro.

De Américo Brasiliense, cidade do interior paulista, o rapaz de 23 anos se mudou para capital para fazer faculdade de publicidade na Universidade de São Paulo. A arte de cantar sempre esteve contida. “No fundo, o meu plano era conseguir vir para cá de alguma forma e apostar na carreira”, diz.

De família festeira, ele conta que sempre seguiu a linha pop e quando criança possuía como referência artistas como Marisa Monte. “Eu tinha 9 anos e cantava muito o disco Memórias, Crônicas e Declarações de Amor dela”, recorda. Também se apresentava no teatro da escola e fez aulas de instrumentos como violão, teclado e até flauta.

Ganhou gosto pelo palco depois de vencer um concurso de bandas na escola – sozinho sob os holofotes. “Eu tinha baixado as bases das músicas, que variavam entre Adele e Justin Bieber, e cantava em cima”, lembra. “Fique em primeiro lugar como melhor voz. Imagina, cantar Bieber num colégio franciscano.”

Por aqui, chegou a bater à porta de alguns bares, mas seu estilo não agradava a plateia. “Era difícil disputar a atenção das cinco pessoas ali”, diverte-se. O empurrão veio dos amigos Pedro Tófoni e Renan Silva, que o incentivaram – e o ajudaram – a fazer videoclipes para o YouTube. O primeiro postado foi uma versão para Bang, da cantora Anitta. “Por algum mistério, o vídeo foi parar no fã-clube dela e as pessoas começaram a procurar o meu canal”, diz. Chegou a fazer um vídeo por semana.

Esse material chamou atenção dos produtores musicais Pedro Dash e Marcelinho Ferraz, da Head Media, selo ligado à gravadora Universal Music, que o convidou para montar o disco. “A voz dele tem muita personalidade, que facilmente o público identifica”, afirma Dash. “Além disso, suas composições falam de assuntos complexos, com ironias interessantes. É uma sofrência-pop.”

Apresentado como “aposta”, Jão fez a sua estreia em rede nacional ao se apresentar no programa Só Toca Pop, no último sábado (22_. A tendência é só crescer, agora que sai em turnê. “Eu lembro que a gente [ao lado de Tófoni e Silva] arrecadava o cachê, cerca de 300 reais, e ia gastar tudo no restaurante”, lembra. “Demorou para entendermos o que estava acontecendo e transformar o que tínhamos em uma carreira profissional.” E bota profissional nisso.

Já com estrutura maior, planejamento e produção coesa, até o fim do ano já estão marcados catorze show pelo país, ainda com datas a serem confirmadas. No mercado, as apresentações de Jão custam entre 40 000 e 45 000 reais, em São Paulo ou no Rio. “Ele tem tudo para, em dois ou três anos, ser o maior artista pop masculino do Brasil”, acredita Dash.

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