Conheça a banda por trás da música ‘Cerveja de Garrafa’, Atitude 67

Grupo de pagode já caiu na boca de Neymar e Thiaguinho e fez 100 shows em 180 dias

Se ainda não se deparou com o refrão “Gosta de boteco e de cerveja de garrafa/ E nunca ligou/ Pra toda fumaça que eu faço/ E toda vez que eu relaxo/ Eu imagino um mundo belo assim com você do lado“, não se preocupe, você provavelmente topará com ele em algum momento. E, até o final da música, cantará junto, balançando os ombros, mesmo que discretamente na mesa do escritório.

O vídeo da faixa Cerveja de Garrafa no YouTube ultrapassou a marca dos 46 milhões de visualizações. A canção bombou nas rádios e caiu entre os virais do Spotify. Além disso, o jogador Neymar demonstrou seus “dotes artísticos” cantando a música. O responsável pela criação é o sexteto de pagode e sensação do gênero do momento Atitude 67, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

O grupo é formado por Pedrinho (vocalista), Éric (violão e vocalista), Karan (pandeiro e vocalista), GP (rebolo), Leandro (reco reco) e Regê (surdo), todos na faixa dos 30 anos de idade e amigos de infância. A brincadeira começou na adolescência, no auge de grupos como Inimigos da HP e Jeito Moleque. “Em Campo Grande, era difícil encontrar grupos de samba”, conta Pedrinho. “Cada um aprendeu um instrumento e começamos a tocar na garagem mesmo.”

Com o número de festinhas de amigos aumentando, a turma começou a ser chamada para tocar nos bares da cidade e, para isso, era preciso insistir com os pais para que autorizassem a empreitada – amadora, até então. “Terminamos o colégio e cada um seguiu a sua vida: faculdade, emprego…”, conta o vocal.

Em maio de 2016, um reencontro do conjunto na casa de Karan, na cidade natal, mudou esse cenário. “Surgiu a conversa de levar a carreira musical a sério: um falou que deixaria o trampo, o outro também e assim foi.” Os seis amigos decidiram deixar as profissões de advogado, jornalista, oceanógrafo, empresário e arquiteto de lado e apostaram alto no pagode.

“Todo mundo tinha até 1º de novembro para largar tudo e se mudar para São Paulo”, conta Pedrinho. Um vendeu a sociedade em um bar, outro deixou o escritório de advocacia – e de quebra ainda levou um pé da noiva que não topou o risco… “Éramos seis caras dividindo um apê de 70 metros quadrados, com dois quartos e um banheiro, na Pompeia”, comenta.

Correram para os bares na Vila Madalena para dar um gás no projeto, topando o que pudesse aparecer. “Um amigo nosso fazia o meio de campo com os botecos, que pagavam entre 500 e 600 reais por noite.” Do dinheiro, eram descontados os Ubers de ida e volta (dois, para caber todo mundo), entre outras despesas.

“Não voltávamos nos bares que não deixavam a gente tocar as nossas músicas”, diverte-se. “A nossa meta era ter a nossa produção e não ficar só nos covers.” Com a movimentação, alguns clientes já identificavam a produção da turma. “A gente gravava as músicas no WhatsApp e eles iam espalhando”, conta.

O encontro que mudou tudo foi com Dudu Borges, produtor de nomes como Michel Teló e Luan Santana. “A gente foi ao estúdio ajudar uma amiga que estava gravando o disco dela.” Segundo Pedrinho, Borges ligou para eles em seguida para conhecer a banda. A turma apresentou entre sessenta e setenta composições inéditas e o produtor apostou na galera. Além da gravação das faixas, fizeram também um DVD.

“Dois ou três dias depois de a gente lançar Cerveja de Garrafa, o Neymar postou um vídeo cantando a faixa”, lembra Pedrinho. Também já tinham chancela de Thiaguinho, apresentado à banda por Borges (“Dudu mandou um áudio para ele no Whats e ele respondeu com carinhas de espanto e coração”). Eles participaram do disco Só Vem, do veterano, e, agora, ele estará no clipe de Saidera, lançado até o fim de julho.

O sucesso se reflete no número de shows: foram 100 em 180 dias (ou seis meses) e a maratona tende a continuar. “Até o fim do ano, temos poucas datas disponíveis”, comemora Pedrinho, que tem aproveitado o lado ainda não muito tumultuado da fama. “Pouca coisa mudou: outro dia fizemos um show no litoral, estávamos na praia, ouvimos a música no rádio, a turma cantando, mas ninguém sabia que era a gente”, diz. “Queremos mesmo trabalhar as canções e não tanto a imagem.” Entre os sonhos, aparece conseguir tocar em casas de shows como Credicard Hall. “Tocamos na Sapucaí em dois camarotes durante o Carnaval e já foi uma conquista.”

Boteco é o forte

Os sexteto, que agora mora em uma casa maior em Carapicuíba, costuma dividir as composições, sempre sobre assuntos ligados aos membros. Cerveja de Garrafa, por exemplo, foi inspirada na namorada de Pedrinho, Ana Carolina, na época da faculdade. “Ela sempre pedia para ir no boteco com cerveja de garrafa e não long neck, porque é mais barato”, diz. Já Saidera é uma homenagem a uma história real de Regê.

O próximo clipe, Tudo ao Contrário, lançado nesta sexta (6), que fala de um rapaz que descobre que o amor muda perspectiva, foi gravado na casa da turma, com os amigos mais próximos, em clima de festa. Por enquanto, não há shows marcados na capital. Até o fim do mês, o Atitude 67 passa por cidades como Belo Horizonte e Divinópolis, em Minas Gerais, no sábado (7), e Presidente Prudente, em São Paulo, no domingo (8).

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s