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Tudo Sobre Cinema

Netflix: documentários emocionantes do mesmo criador da série Hollywood

Ryan Murphy é o produtor de dois filmes com histórias fascinantes

Por Miguel Barbieri 13 Maio 2020, 15h46

Criador de séries como Glee e Pose e da nova Hollywood, Ryan Murphy também produz documentários, dois deles, inclusive, também estão na Netflix. Confira abaixo o que achei de Atrás da Estante e Secreto e Proibido.

A história de Atrás da Estante é fascinante, porém com um desfecho melancólico. No início dos anos 80, a jornalista Karen e o inventor Barry Mason decidiram reerguer uma livraria falida em West Hollywood, em Los Angeles. Nascia, assim, a lendária Circus of Books. No começo, o casal vendia revistas eróticas masculinas e, aos poucos, o local virou ponto de pornografia gay. O sucesso foi tanto que passaram a alugar e distribuir fitas, incluindo os hits do astro Jeff Stryker. Detalhe: pais à época de dois garotos e uma menina, que é a diretora do filme, Karen e Barry nunca viram o conteúdo do que comercializavam — ela é judia, frequenta a sinagoga e demorou a aceitar a homossexualidade do caçula. Num panorama ao mesmo tempo vasto e particular, o registro passa pelo período pesado da aids, a mudança para o DVD, a virada dos filmes e das publicações para o formato digital e, consequentemente, a derrocada dos negócios. É um retrato da geração VHS exemplificado por uma família que não perdeu a simpatia nem a ternura.

Terry Donahue jogava na liga profissional de beisebol americana (retratada no filme Uma Equipe Muito Especial, de 1992) quando conheceu a telefonista Pat Henschel, em 1947. Foi paixão à primeira vista e o romance durou mais de sete décadas. Secreto e Proibido, mais um acerto de Ryan Murphy como produtor, é a bela história dessas mulheres que, vivendo um amor proibido à época, conseguiram disfarçar a homossexualidade e esconder o relacionamento de suas famílias. Só três anos antes do início das filmagens é que Terry contou à sua sobrinha sobre o caso. Já idosas e vivendo numa casa próxima à cidade de Chicago, elas apresentam problemas de saúde e tentam encontrar uma casa de repouso para viver. Novos impasses surgem daí — e o diretor Chris Bolan tem o talento de ser íntimo sem ser invasivo ao registrar um cotidiano tão triste e conturbado.

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