Casa Dragão – o templo da tecnologia dos anos 80

A loja tinha o que havia de mais moderno em eletrônicos daquela época

Na década de 80, os gadgets tecnológicos eram raros em nosso país, não existiam celulares nem câmeras digitais, e a coisa mais hi-tech que se podia ter era uma agenda eletrônica da Casio, com estonteantes 64 Kb de memória, suficientes para guardar centenas de números de telefone, uma revolução para a época.

Casio SF-5300, um dos modelos de agenda mais sofisticados da época.

Casio SF-5300, um dos modelos de agenda mais sofisticados da época. (Reprodução/Veja SP)

 

Fãs de tecnologia oitentista certamente vão se lembrar de uma loja que ficava na Rua Nova Barão, bem no centro de São Paulo, que era autorizada da Casio e por isso tinha em sua vitrine dezenas de produtos eletrônicos comuns em outros países, mas raríssimos de encontrar por aqui. Chamava-se Casa Dragão. A loja tinha toda a linha dos cobiçados relógios digitais da marca, inclusive os primeiros game-watch que fizeram tanto sucesso naquela época. Tinha também uma variedade enorme de agendas eletrônicas, a coisa mais próxima de um computador de mão que havia naqueles distantes anos, e objetos de desejo do mais alto executivo ao simples trabalhador assalariado, como era o meu caso.

Gamewatches da Casio

Gamewatches da Casio (Reprodução/Veja SP)

 

Havia também uma infinidade de modelos de teclados da Casio, alguns considerados brinquedos e outros bem mais sofisticados, para músicos que faziam mais do que simplesmente divertir a família numa reunião de fim de semana. Um dos mais cobiçados daquela época era o SK-1, mini teclado com sampler, em que a gente podia gravar alguma coisa no microfone e depois tocar o que gravamos no teclado, além de ter um gerador de ritmos e sons de vários instrumentos. Era o auge da tecnologia da época, somente disponível legalmente lá na Dragão.

SK-1 da Casio, um sampler de verdade como brinquedo

SK-1 da Casio, um sampler de verdade como brinquedo (Casio/Divulgação)

 

Eu costumava passar pela loja e ficar admirando todos aqueles equipamentos, mesmo sem ter uso prático para quase nenhum deles. Segundo eu sei, a Casa Dragão esteve no mesmo endereço até o início dos anos 2000. Hoje, no número 52 da Rua Nova Barão está um cabelereiro que talvez nem saiba que está num ponto onde um dia foi o templo da tecnologia da cidade de São Paulo.

A vitrine da Casa Dragão, em anúncio de jornal da época.

A vitrine da Casa Dragão, em anúncio de jornal da época. (Reprodução/Veja SP)

 

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