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Memória Por Blog Uma viagem no tempo às décadas passadas por meio de suas histórias, costumes e curiosidades.

Confira a trajetória da atriz portuguesa Maria de Lourdes Costa Cabral

Mulher do ex-prefeito Prestes Maia foi batalhadora por causas assistenciais e pelas mulheres

Por Mauricio Xavier [com reportagem de Ricardo Chapola] - 8 mar 2019, 06h00

Mulher do ex-prefeito Francisco Prestes Maia, a atriz e ativista política Maria de Lourdes Costa Cabral Prestes Maia foi uma das feministas mais engajadas da história da capital paulista. Nascida em 1901 na cidade portuguesa de Alenquer, ela desembarcou no Rio de Janeiro aos 29 anos como integrante do elenco da peça Chico das Pegas. Após uma das apresentações, Maria de Lourdes conheceu o então engenheiro Prestes Maia e apaixonou-se. Divorciada em Portugal, algo malvisto à época, passou a viver com ele em São Paulo (só se casariam no papel às vésperas da morte dele). Entusiasta da política, Maria de Lourdes participava ativamente das campanhas eleitorais do marido.

Depois que Prestes Maia assumiu a prefeitura, em 1938, ela comandou as ações sociais da gestão. Empenhada nesse trabalho, buscou o apoio de mulheres da elite paulistana para os projetos beneficentes. Em 1958, assumiu a diretoria da Federação das Mulheres do Brasil, entidade formada no fim dos anos 40 para defender causas feministas, com forte influência do Partido Comunista Brasileiro (PCB), mesmo contrariando o marido.

Durante a ditadura militar, integrou movimentos contra a repressão do regime. No teatro, foi professora de dicção e oratória de vários colegas, como Paulo Autran e Sérgio Cardoso, e apoiou a abertura do Teatro Oficina. Morreu em 1988, aos 86 anos. A historiadora Maria Izilda Santos de Matos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), publicou em 2014 o artigo “Maria Prestes Maia: trajetória, luta política e feminista” para resgatar a importância de sua militância. “Maria Portuguesa, como era conhecida, não gostava de ser chamada de primeira-dama, nomeando-se primeira-operária”, escreveu.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 13 de março de 2019, edição nº 2625.

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