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Vinho e Algo Mais Por Por Marcelo Copello Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Vinho verde não é tudo igual

Esse estilo é muito mais do que aquele líquido levinho

Por Marcelo Copello Atualizado em 26 fev 2021, 02h13 - Publicado em 26 fev 2021, 06h00

Os vinhos verdes, produzidos na região do Minho, no extremo norte de Portugal, são hoje muito mais do que aquele líquido levinho e ligeiramente frisante, com algum gás. Na categoria dos brancos, existem opções de maior estrutura e bom potencial de guarda. A área também proporciona espumantes, rosados e tintos de qualidade.

Um dos maiores patrimônios do vinho português é o conjunto de 250 castas autóctones, originais, que tornam os rótulos únicos. Só nessa região há cerca de cinquenta variedades que podem ser utilizadas. A de maior prestígio é, sem dúvida, a alvarinho, cepa branca mais importante da Península Ibérica.

Essa uva tem perfil aromático que se encaminha para frutas amarelas maduras, como pêssego, manga, abacaxi ou maracujá, além de florais (flor de laranjeira e violeta) e cítricos (limão e laranja). Outros aromas típicos da variedade são marmelo, banana, lichia, avelã, noz e mel. Seu perfil se diferencia significativamente das demais castas brancas da DOC Vinhos Verdes.

Normalmente, a intensidade de cor é maior, o aroma é mais intenso e o caráter gustativo, de maior maciez alcoólica, com mais estrutura, equilíbrio e persistência. A cepa loureiro é mais floral, a azal e a avesso são mais cítricas, e a pedernã e a trajadura lembram banana e maçã, por exemplo.

Historiadores espanhóis sugerem que a alvarinho é aparentada da riesling e teria sido introduzida na região da Galícia por monges de Cluny, em uma provável peregrinação medieval. É uma das castas de menor rendimento do mundo, com bagos pequenos de película grossa. As uvas amadurecem precocemente, o que nessa chuvosa área é uma dádiva, e têm boa resistência a pragas.

Uma característica da alvarinho que a torna “moderna” é sua afinidade com a fermentação em barricas de carvalho e maceração pelicular com o processo de bâtonnage (revolver as borras depositadas no fundo do recipiente), o que dá ainda mais estrutura ao vinho. Outras uvas brancas de destaque são a loureiro e a arinto.

A primeira produz bebida de cor clara esverdeada, acídula, com aromas intensos, muito perfumados, lembrando flores (rosa) e também cítricos como o limão. A segunda, a arinto, tem boa estrutura e atinge seu melhor no interior da região. Dá vinhos frescos, com ótima acidez, de cor clara e citrina. Seus aromas mais típicos são maçã, pera e muitas flores.

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CONFIRA OPÇÕES DE VINHOS VERDES:

Alvarinho Palácio da Brejoeira
Um dos mais tradicionais e classudos produtores da região do Minho, que ajudou a fazer o nome da uva alvarinho no mundo. Leve e elegante, mas com estrutura e potencial de guarda. Custa R$ 394,90.
Onde comprar: Amazon.

Alvarinho João Portugal Ramos
Mestre do Alentejo, João Portugal Ramos aventurou-se no Minho para nos brindar com este excelente alvarinho, que tem algum potencial de guarda. Com passagem por carvalho, tem notas de cítricos, minerais e paladar com ótima acidez. Custa R$ 159,00.
Onde comprar: Americanas.

Muralhas de Monção
Um clássico popular da categoria, sucesso no Brasil, é feito pela Adega Cooperativa Regional de Monção. Mistura as castas brancas da região portuguesa de Vinhos Verdes, com predominância da alvarinho. Leve, fresco, frutado e com notas de pêssego, abacaxi e maracujá. Custa R$ 79,20 a meia garrafa.
Onde comprar: Americanas.

 

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