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Vinho e Algo Mais Por Por Marcelo Copello Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Um pequeno guia para degustar vinhos

Confira o passo a passo da prova da bebida e conheça três garrafas de diferentes variedades para treinar

Por Marcelo Copello - Atualizado em 24 ago 2020, 19h13 - Publicado em 21 ago 2020, 06h00

Beber é simples: basta transferir o líquido da garrafa para a taça e, finalmente, para a boca. Na degustação, esse caminho passa pelo cérebro e pelo coração. A autêntica técnica consiste em proceder toda a análise de maneira natural e contínua, de modo a não comprometer o principal: o prazer.

O que torna a bebida tão especial é o equilíbrio entre razão e emoção, que inspira quem desarrolhou a garrafa. Confira, abaixo, pontos a serem notados quando se faz uma prova e, ao lado, encontre sugestões para treinar.

Olhar. Normalmente, quanto mais escura a cor, mais encorpado (e mais tânico nos tintos). Quanto mais viva, mais ácido e jovem o vinho é. Quanto mais esmaecida, mais velho e menos ácido. Nos tintos, quanto mais violeta ou rubi, mais jovem (pode indicar que ainda está inadequado para beber). Quanto mais apagada e próxima à cor de tijolo ou laranja, mais envelhecido.

Os brancos jovens têm tonalidade tendendo ao verde, que, com o tempo, passa a amarelo e ao dourado. Os brancos ficam mais escuros ao envelhecer. Desconfie de brancos escuros demais.

Olfato. Aqui reside o grande charme do vinho. Gire-o na taça, libere a imaginação e inspire. Os odores mudarão à medida que você os aprecia. É interessante guardar um pouco de bebida na taça por algumas horas para acompanhar a evolução olfativa. Procure associar a coisas que você conhece (frutas, flores, especiarias, minerais) e ficará mais fácil reconhecê-los e recordá-los.

Paladar e tato. Beber é o último estágio, no qual se confirmará tudo o que se sentiu anteriormente. O paladar proporciona quatro sensações: doçura, acidez, salgado e amargor. Alguns cientistas acrescentam os chamados umami e kokumi, este ainda em estudos (tornariam os vinhos mais “substanciosos”). No contato da boca, nota-se a consistência do vinho, a aspereza, a fluidez, a pungência, a temperatura e a adstringência ou tanicidade.

O aroma de boca é diferente do de nariz, pois a saliva aquece e intensifica a evaporação. Em geral, esses aromas são mais fortes e menos elegantes que os de nariz. Para senti-los melhor, pode-se, com o líquido ainda na boca, deixar entrar um pouco de ar nela. Após engolir, sente-se o calor provocado, efeito do álcool e o que chamamos fim de boca. Com alguns exemplares, tem-se a sensação de que os aromas retornam após algum tempo, o que chamamos de retrogosto.

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Confira exemplares para o teste:

Celler de Capçanes Mas Collet Selecció Montsant
O produtor Celler de Capçanes fica na região espanhola de Montsant, vizinha ao Priorato. Elaborado com carignan, cabernet sauvignon e garnacha, fica nove meses em barricas. Cor violácea escura, com aromas de frutas negras, bom corpo e taninos doces. R$ 109,00, Evino | compre aqui.

Xavier Vignon Côtes du Rhône SM
O SM no nome vem de setentrional e meridional, pois é elaborado com syrah do norte do Rhône, na França, e com grenache do sul da região. O syrah de vinhas de sessenta anos passa por carvalho, e o grenache, de plantas de mais de oitenta anos, não fica em madeira. R$ 249,90, Evino | compre aqui.

Yalumba Sanctum
Coonawarra é a melhor região da Austrália e uma das áreas do mundo onde a cabernet sauvignon alcança grande qualidade. Este é um exemplar onde a casta se expressa com toda sua tipicidade. Passa quatro meses em carvalho e é vegano. R$ 178,71, Wine | compre aqui.

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