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Vinho e Algo Mais Por Por Marcelo Copello Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Espumantes tintos harmonizam com feijoada

Confira quatro rótulos desses borbulhantes

Por Marcelo Copello Atualizado em 18 jun 2020, 22h31 - Publicado em 19 jun 2020, 06h00

Talvez o prato brasileiro mais difícil na combinação com vinhos seja a feijoada. A receita oferece alto nível de sabor, aroma, sal, gordura e um toque de amargor do feijão-preto. Já testei na prática diferentes opções de harmonização com feijoada e o resultado sempre foi muito curioso.

Testei o prato com vários tipos de branco, tinto, rosado, espumante branco e rosé, e por fim espumante tinto. Nas provas, antes de servir a feijoada, o que menos agradou foi o espumante tinto. Junto com a feijoada, no entanto, esse foi o meu predileto. Um verdadeiro patinho feio transformado em cisne.

A explicação vem do fato de os borbulhantes rubros terem os taninos dos tintos agregados à acidez alta dos espumantes, causando certa estranheza ao paladar como aperitivo, mas brilhando ao ser combinados com comidas que trazem gordura e certo amargor, como a feijoada.

O que são os espumantes tintos e como são feitos?
Boa parte dos espumantes brancos e rosados leva uvas tintas na composição, só que sem extrair a cor de suas cascas, ou, no caso dos rosados, com mistura de uma pequena quantidade de tinto ao branco. Os espumantes tintos são feitos exatamente como se fazem os brancos e rosados, com a diferença da maceração das cascas com a extração de cor. O grande diferencial no resultado é que os espumantes tintos mantêm a alta acidez dos brancos e rosados, com o acréscimo dos taninos e adstringência dos vinhos tintos tranquilos.

Exemplos no mundo
A primeira vez que deparei com um espumante tinto foi quando morei na Itália, nos anos 1990. Vivia na Lombardia, região norte do país, e um vinho popular lá é o Sangue de Giuda (sangue de Judas), muito semelhante a um lambrusco. Mas o país no qual talvez os espumantes tintos estão mais ligados à culinária típica é Portugal.

Na Bairrada, região centro-norte, onde os leitões assados são o prato emblemático, a combinação frequente e adequada são os espumantes tintos, feitos com a taninosa casta baga. No Brasil o fenômeno não chega a ser recente.

Lembro de provar espumantes tintos da Chandon décadas atrás. Lembro também que havia grande dificuldade de passar o conceito aos consumidores e esses produtos foram descontinuados. Hoje em dia, os produtores brasileiros voltaram a acreditar na categoria, com ótima resposta do público.

Confira algumas opções:

Noite dos Pampas: rótulo da Guatambu Divulgação/Divulgação

Guatambu Noite do Pampa Brut.
Merlot 100%, elaborado pelo método champanoise, com dezoito meses com suas borras. Aroma rico e frutado, paladar com taninos, mas macio. Custa R$ 62,90 no site vinhosevinhos.com.

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Aliança Bruto Reserva Tinto.
Português de baga e tinta roriz feito pelo método champenoise, é encorpado. R$ 49,00 na Portus Cale (portuscale.com.br).

Casa Valduga RSV Brut Tinto.
Gaúcho com as castas merlot, chardonnay e pinot noir, é frutado e fácil de beber. Vendido no site da loja (famigliavalduga.com.br) por R$ 85,50.

Medici Ermete Lambrusco Reggiano Concerto.
Italiano importado pela Decanter (R$ 163,10; decanter.com.br), tem bons taninos e acidez. É um expoente entre os lambruscos.

QMF Espumante Tinto.
Da Quinta da Mata Fidalga, tem touriga nacional e baga, típicas da Bairrada. R$ 129,00 pela Vinalla (WhatsApp, tel. 61 9606-4448).

Confira restaurantes com boas feijoadas aqui.

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