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Vinho e Algo Mais Por Por Marcelo Copello Especialista na bebida, Marcelo Copello foi colunista de Veja Rio. Sua longa trajetória como escritor do tema inclui publicações como a extinta Gazeta Mercantil e livros, entre eles "Vinho e Algo Mais" e "Os Sabores do Douro e do Minho", pelo qual concorreu ao prêmio Jabuti

Coronavírus transforma o mercado de vinhos

Fiz uma pesquisa para tirar um retrato da bebida na pandemia

Por Marcelo Copello Atualizado em 15 Maio 2020, 00h34 - Publicado em 15 Maio 2020, 06h00

O mercado do vinho no país vinha crescendo em volume ininterruptamente fazia mais de vinte anos. Com a pandemia do coronavírus e a paralisação de muitos negócios, está começando a vivenciar uma crise sem precedentes.

Mas existe a esperança de que, mesmo assim, o consumo da bebida se mantenha, como ocorreu em 2014, ano em que o PIB decresceu apenas 0,1% e, mesmo assim, o volume aumentou.

Fiz uma pesquisa para tirar um retrato do mercado brasileiro neste momento. Foi um questionário respondido por 1 000 pessoas, realizado entre os dias 18 e 22 de abril, com os seguidores de minhas redes sociais. A pesquisa também foi divulgada no WhatsApp.

O perfil dos participantes é de gente já envolvida com vinho, em sua maioria entre 25 e 55 anos de idade, com ligeira maioria do sexo masculino. Esse levantamento foi complementado com entrevistas com players do trade. Veja algumas conclusões.

Aumento no consumo
Nas respostas, 63% declararam a tendência. o dado confere com as importações, que tiveram no primeiro trimestre deste ano crescimento de 15,4% em relação ao mesmo período de 2019, ainda que com o dólar alto.

Do que gosta o público
A pandemia parece não ter mudado o gosto do brasileiro. Manteve-­se a preferência por tintos, vinhos do Chile e cabernet sauvignon.

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Esvaziando a adega
Na pergunta sobre compra, a maioria respondeu que tem adquirido mais (57%), mas esse porcentual está abaixo dos que declararam beber mais (67%). A explicação é que os consumidores estão diminuindo seus estoques caseiros.

Canal de compra
A liderança, como antes da Covid-­19, continua sendo das grandes redes varejistas, que, embora não revelem números, reportam ter crescimento de dois dígitos no período. A pesquisa mostra ainda um grande crescimento do e-­commerce, que normalmente responderia por 10% a 15% das vendas, e no levantamento chegou a 35%. O dado confere com números das principais lojas virtuais brasileiras de vinho. Outro canal emergente é o WhatsApp.

Paralisação dos serviços
O consumo no setor de hotéis, restaurantes e bares foi muito afetado. Esse canal que normalmente responde por cerca de 10% de todo o vinho tomado no país está totalmente parado no momento.

Sobre o futuro próximo, a maioria disse que pretende manter o atual nível de consumo. Contudo, é precipitado tirar conclusões sobre isso, já que a primeira fase de quarentena tem a possibilidade levar a uma euforia, que pode depois se retrair.

O mercado é resiliente em crises e, provavelmente, tende a não sofrer retração em volume. As mudanças, contudo, são profundas e grandes oportunidades podem surgir.

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