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Filmes e Séries - Por Barbara Demerov

O Homem que Vendeu Sua Pele aborda os limites da arte

Filme representou a Tunísia no Oscar 2021 e conta história de imigrante que, ao fugir da guerra, aceita ter suas costas tatuadas por um artista

Por Barbara Demerov Atualizado em 7 out 2021, 22h43 - Publicado em 8 out 2021, 06h00

✪✪✪ O Homem que Vendeu Sua Pele, em cartaz nos cinemas, foi indicado ao Oscar 2021 de melhor filme internacional. O reconhecimento na categoria foi merecido, visto que a temática da produção envolve a crise dos refugiados e o mercado da arte — assuntos que se conectam de forma curiosa.

O protagonista, Sam Ali (Yahya Mahayni), é um jovem sírio que aceita ter suas costas tatuadas por um artista cultuado para ganhar um passaporte para a Europa. Como seu maior desejo é fugir da guerra e estar com sua amada, Abeer (Dea Liane), Sam não liga para os comentários de sua comunidade e, inicialmente, não se importa em ser uma peça de arte humana. Ele posa de costas para o público no museu, exibindo a valiosa obra marcada na própria pele como se não existisse uma pessoa ali.

Mas, no decorrer da narrativa, o conflito central — a discussão sobre a posse de um homem em prol da arte — toma forma e entra em uma onda crescente de reflexão. A atriz italiana Monica Bellucci, que interpreta uma negociante artística, possui uma participação essencial para o espectador compreender a dimensão do tema. Ela explora seu “objeto” e não esconde isso em nenhum momento da trama.

O Homem que Vendeu Sua Pele traz o questionamento do aproveitamento de um ser humano a partir do momento em que ele é rotulado como produto, em um cenário real, no qual o protagonista não quer ser mais uma vítima de uma guerra. Mas, quando Sam entende que se tornou propriedade da Europa, as consequências dessa escolha são maiores que os benefícios.

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Publicado em VEJA São Paulo de 13 de outubro de 2021, edição nº 2759

  • https://youtu.be/a3AvpUfaeRE

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