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Filmes e Séries - Por Barbara Demerov

Caminhos da Memória fala sobre a importância de viver o presente

À Vejinha, diretora Lisa Joy espera que filme com Hugh Jackman lembre as pessoas de se entregarem aos momentos especiais enquanto eles estão acontecendo

Por Barbara Demerov Atualizado em 13 ago 2021, 12h28 - Publicado em 13 ago 2021, 06h00

Caminhos da Memória, lançamento da Warner Bros. Pictures, chega às salas de cinema em 19 de agosto. O filme, escrito e dirigido por Lisa Joy (cocriadora e produtora da série Westworld), se passa no futuro e é estrelado por Hugh Jackman e Rebecca Ferguson.

A partir de uma máquina que oferece às pessoas uma chance de reviver momentos importantes de sua vida, a narrativa aborda o apego ao passado e a importância de viver intensamente. E, ainda, a cidade de Miami encontra-se inundada pelo mar devido ao aquecimento global, moldando um cenário distópico e intrigante que mescla drama com ficção científica.

Jackman interpreta o cientista Nick Bannister, um investigador da mente das pessoas e o criador da máquina que observa todo tipo de memória. Quando se apaixona perdidamente pela misteriosa Mae (Ferguson), que desaparece depois de um tempo, o personagem passa a se “viciar” no passado. Ele viaja nas próprias lembranças com a amada para entender o que aconteceu.

A partir dessa reviravolta, Caminhos da Memória foca nas consequências de se olhar muito para trás e não para o presente. A dupla de atores possui uma ótima química e essa qualidade faz com que o filme eleve a complexidade da reflexão proposta. Além disso, o trabalho na fotografia e na trilha sonora contribui para um resultado marcante em tela.

A imagem mostra Jackman e Ferguson abraçados, nariz a nariz, ele com os olhos fechados e ela de olho aberto.
Amor que desafia: o cientista Nick (Jackman) faz uma busca complexa para encontrar Mae (Ferguson) Ben Rothstein/Divulgação

Abaixo, leia a entrevista exclusiva da Vejinha com a diretora Lisa Joy.

De onde surgiu a ideia para o roteiro de Caminhos da Memória?

Quando meu avô faleceu, fui até a cidade onde ele morava com a minha avó fazia cinquenta anos para ajudar no funeral. Na entrada da casa havia um brasão com o nome “Sookie Lane”, e ele nunca me disse qual era o significado. Ao organizar seus documentos, encontrei a foto de uma jovem, provavelmente tirada há mais de meio século. Atrás dela estava escrito “Sookie Lane”. Ele não estava mais ali para me contar quem era a mulher, mas eu sabia que tinha sido alguém que marcou tanto a vida de meu avô a ponto de ele nomear a propriedade em sua homenagem. Isso me fez pensar no mundo em geral. Sobre como nós temos momentos em nossa vida e como seria bom retornar a algumas memórias. É como se tivéssemos uma constelação de estrelas espalhadas ao longo de nossa vida que brilham intensamente.

Além da ação, o filme aborda solidão e nostalgia. E, nos dias atuais, há muito a se falar sobre a saudade da época pré-pandemia. O que você pensa sobre a conexão entre ficção e realidade?

Acho que a ficção é um espelho do mundo real. E muitas das coisas contra as quais os humanos lutam são universais. A solidão é uma aflição devastadora que todos experimentam, não importa quem você seja: sofisticado, rico, bonito… todo mundo sabe como é a solidão às vezes. A universalidade disso é algo que entramos em contato como um todo durante a pandemia, porque estávamos sozinhos diante do incerto. Espero que, de alguma forma, meu filme lembre as pessoas de se entregarem aos momentos especiais enquanto eles estão acontecendo, pois infelizmente a máquina de memórias não existe. O “final feliz”, para mim, é o momento presente.

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Como foi dirigir Hugh Jackman e Rebecca Ferguson em seu primeiro longa-metragem?

Hugh foi o melhor parceiro desde o início. Ele aceitou o papel mesmo sabendo que, na época, eu só tinha meu roteiro em mãos. Que estrela de cinema faz isso? (risos) E Rebecca… eu sempre pensei que ela era a atriz perfeita para ser a Mae. Eu precisava de alguém talentoso o suficiente para apresentar todas as camadas da personagem, da luz às sombras.

Após trabalhar em histórias futurísticas, como em Westworld, você pensa em dirigir um filme ou série de época?

É uma boa pergunta. Eu extraio muito do passado e dos diretores que vieram antes de mim para ter inspiração, mas realmente quero dirigir mais uma ficção científica a seguir.

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Publicado em VEJA São Paulo de 18 de agosto de 2021, edição nº 2751

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