As dicas da jornalista Thais Herédia para lidar com escolhas difíceis

A colunista do blog A Tal Felicidade também reflete sobre as maneiras de se comportar no meio digital

Afinal, o que será essa “tal felicidade”? Quando recebi o convite pra escrever a coluna, eu me perguntei: e eu lá sei como defini-la? Foi um bom exercício de reflexão entre o privilégio de falar a tanta gente e o direito de me meter na percepção dos outros. Sem querer ser piegas, e já sendo, resolvi trazer meu pai para a conversa e espero convencê-los de que fiz uma ótima escolha.

Hugo Herédia era mineiro, professor de história, engajado no propósito de melhorar a educação do Brasil e um exímio frasista. Entre sátiras e trocadilhos, caprichava nos ensinamentos. “O maior privilégio da vida é poder fazer escolhas”, dizia quando uma das suas seis filhas resmungava com desfeita. Escolher onde morar, estudar, trabalhar, o que comer, o que vestir, com quem se relacionar, o que pensar, que ideologia carregar, escolher como ser feliz!

O poder de dizer “não gostei, não quero”, ou “gostei, quero”, carrega liberdade e responsabilidade. E um risco. Quem fica escondido entre os verbos da frase é o individualismo. Se você não é desse tipo, sabe que nesse mesmo espaço semântico do exercício do poder está o valor que damos às coisas e às relações da vida. Além do poder propriamente dito, há o querer, o precisar, o depender, o surpreender, o rejeitar, o acolher. Quanto mais ponderação houver, melhor. Aprendida a lição, lá vinha o sujeito com o bordão na ponta da língua: “O seu direito termina onde começa o do outro”, dizia papai. E completava lembrando que seres humanos vivem em coletividade e é na harmonia dessa convivência que estão os melhores momentos. “É impossível ser feliz sozinho”, já disse o poeta.

Quem brilha entre o direito e o privilégio de escolher é o merecimento. Eu mereço ser feliz! Ô frase boa de dizer! Ela presta enormes favores à gula (ou à luxúria), mas, sobretudo, serve para aqueles momentos de virar a vida do avesso e seguir outro rumo. Agora pense comigo: para quem não tem o privilégio da escolha, será que o merecimento salva? Na sabedoria do seu Herédia, o dinheiro leva boa parte da culpa — pra quem tem muito ou nada. Mas há outro protagonista nesta história: o humor. “O mau humor é um mau burguês”, decretava papai. “Pobre tem cansaço, raiva e desalento”, descrevia, num exagero que servia de reforço da lição. Em uma vida cheia de privilégios e direitos atendidos, o bom humor é quase obrigatório, imperioso, vital. Neste meu quase meio século de vida, o bom humor e o privilégio de fazer escolhas me garantem bons e longos momentos de felicidade.

2018 está acabando com um país dividido, enfezado, briguento. Não fosse a arena virtual das redes sociais, faltaria Band-Aid pra tanta ferida. Muita gente pode pensar que não há fórmula de felicidade que dê conta desta onda. Ouso discordar. Se você quiser experimentar a dos Herédia, pode levar!

Dica

Foi com bom humor que me juntei a três amigas para escrever e produzir o Manual dos Pecados Digitais, que acabamos de lançar. Trata-se de uma sátira ao comportamento nada harmonioso e muito mal-educado no mundo digital. Nela você vai reconhecer seu pior pecado e ter o privilégio de escolher como se redimir dele.

 (Cacalos Garrastazu/)

Thais Herédia é jornalista especializada em economia e youtuber do canal MyNews. de olho na desconexão das pessoas, decidiu repensar hábitos. Hoje, por exemplo, não deixa mais o celular na mesa de comida; nunca! Outros comportamentos revistos com leveza são tema do novo Manual dos Pecados Digitais.

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