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“A casa deve ser um espaço para andar descalço, para se despir de camadas”

O arquiteto Michel Safatle dá dicas sobre como fazer do seu lar um lugar de calma. Iluminação difusa e mobiliário reutilizado estão na lista

Por Michel Safatle - 24 Maio 2019, 06h00

EM QUIETUDE — Eu me perguntei como uma casa pode convidar para um momento de pausa. A primeira resposta foi a luz. Em vez de focos mais fortes, a iluminação indireta, feita de forma difusa, ajuda a criar uma atmosfera de encantamento.

BELEZA NEUTRA — No lugar de um colorido intenso, o uso de tons da natureza como aveia, marfim e areia com preto acalma. A casa deve ser um espaço para andar descalço, para se despir de camadas.

DE SENTIR NA PELE  Os sentidos podem nos ajudar no caminho de reconexão interna. Vale brincar com as texturas no interior: sentir o calor da madeira, o toque do linho, da seda, do algodão orgânico.

FOCO NO DETALHE —  Vivemos com olhos apressados. Nos meus projetos, procuro trazer a atenção para detalhes que demandam tempo para ser absorvidos. Pode ser uma folhagem ou um quadro que tem uma história por trás, a ideia é buscar elementos que transmitam sutileza.

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SEM PESSOAS, NÃO HÁ SENTIDO —  Uma casa vazia não tem vida. O afeto é fundamental. Receber e abraçar as pessoas é o que importa.

USADO, COM ORGULHO — Reutilizar mobiliário não é só uma questão de sustentabilidade, mas também de trazer história para o espaço. Não se trata necessariamente de ter uma poltrona assinada, pode ser uma que era da casa da sua avó.

PARA SE VER MELHOR — Os espelhos podem convidar a se enxergar de fato, levar ao autoconhecimento. Em casa, quando bem utilizados, trazem uma sensação de amplitude e de conforto.

DISCIPLINA PARA RESPIRAR FUNDO — Sempre precisei gerenciar os sentimentos. Com a prática de esporte, descobri como respirar e silenciar a pressão emocional. Ao competir como cavaleiro, entrei em contato com demônios e fantasmas, aprendi a perder e também a lidar com tensões. Junto com muitos anos de terapia, esse aprendizado foi fundamental para que eu atingisse a maturidade.

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ESPAÇO REFLEXIVO —  O momento atual pede menos reação e mais reflexão. Em uma sociedade de ânimos inflamados, há a necessidade de uma mensagem de amor e compreensão. A arquitetura pode expressar acolhimento em suas formas.

SE ALGO APERTAR, UM CHOCOLATE — Aprendi que não precisamos ser tão duros conosco. O rigor pode combinar com a doçura. Às vezes, um chocolate é tudo aquilo de que a gente precisa — e tudo bem comer sem culpa. Sempre deixo uma caixa à mão. Nunca se sabe quando a pausa pedirá um pedacinho (ou dois) de uma barra.

Michel Safatle Alexandre Battibugli/Veja SP

Michel Safatle (@msafatle) era cavaleiro antes de ser arquiteto. Na Casa Cor 2019, apresenta o projeto #CasaPausa. Acredita que morar bem é sinônimo de compor um ambiente tranquilo, com referências afetivas e uma caixa de chocolate sempre à mão.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 29 de maio de 2019, edição nº 2636.

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