Marcos Rojo ensina como começar a praticar ioga

O educador físico e estudioso de hatha yoga, dá dicas de meditação e modos de praticar ioga

Atitudes para quem não está no alto da montanha > No Ocidente, a parcela mais conhecida da ioga são os ássanas. Mais do que posturas corporais, eles sugerem atitudes que não servem só para quando se fica em cima do tapetinho. A verdadeira beleza está em entender a técnica por completo, o sistema filosófico que servia para o homem que vivia numa caverna no alto da montanha e vale para hoje.

Clareza para estabilizar o bom humor > O cultivo das atitudes ligadas à ioga passa, primeiro, por tornar a mente clara, meditativa. Para discernir as coisas, vê-las como elas são, é preciso treinar. A ioga incentiva a cordialidade, a compaixão, a alegria, a moderação e a neutralidade. As coisas que você observa, sejam ou não virtuosas, não precisam mudar o seu humor.

Não seja um problema para o mundo > A ética da ioga, para quem almeja o caminho espiritual, começa com uma primeira recomendação: a não violência — nem de pensamentos, nem de palavras, nem de ações. Gandhi era o mestre aqui. Não seja um problema para o mundo e não deixe que o mundo seja um problema para você. Ioga não é o que se faz nem quanto se faz, mas como se faz. Durante uma prática, por exemplo, não forçar o seu corpo é exercer a não violência.

Existir sem reclamar > Siga com a busca pela verdade. Não possua mais do que você precisa, busque a pureza e o contentamento em vez de ficar reclamando. A felicidade passa pelo reconhecimento do privilégio da existência. Uma coisa é fazer as ações mecanicamente, tomar banho, comer, deslocar-se para o trabalho. Quando a pessoa se propõe a fazer ioga, o objetivo é que ela preste atenção. Se não for assim, não é ioga.

Não se preocupe tanto com a pose para a foto > Na Índia antiga, o corpo era visto como uma ferramenta no caminho espiritual de meditação. Ioga não é para o corpo, é através do corpo. A valorização da condição elástica de uma modelo numa foto é um conceito nosso, que modifica a compreensão da técnica. Tive aula com grandes professores que não encostavam a mão nos pés. Dobrar os joelhos no alongamento não é depreciativo. A aula mais forte, mais adiantada, é sentar-se e não se mexer, só meditar.

“Meditação não é para mim” > Já vi muita gente que senta para meditar e em cinco minutos decide: “Não, isso não é para mim”. A mente é inquieta, não podemos esperar que a mente controle a própria mente. Eu não vou colocar o ladrão para proteger a minha casa contra o ladrão. Há armadilhas na meditação, como pensar que não está pensando. O que fazemos, então, é criar um ambiente propício para a concentração. Mexemos no corpo, na respiração e mudamos nosso padrão de sensações.

Um caminho para todos > Ao final de uma aula, os alunos querem o silêncio, buscam esse estado mais tranquilo. Não preciso mudar meu estilo de vida, virar vegetariano, só usar roupas de algodão ou abdicar da vida social, ainda que alguns hábitos possam mudar com o tempo. Ioga é para todo mundo — homem, mulher, velho, jovem… É uma técnica, mas também um estado. Onde está a sua mente agora? Na praia, pensando no que precisa ser feito no escritório? Ou no escritório, pensando que gostaria de estar na praia? Apego, velocidade, raiva, inveja, nada disso é normal. Ioga é um caminho para a mente clara, que é o nosso estado normal, ainda que não seja tão comum.

 (Arquivo pessoal / Reprodução/Veja SP)

Marcos Rojo, educador físico, estudioso de hatha yoga desde a década de 70, é fundador do Instituto de Ensino e Pesquisas em Yoga, o IEPY. Dentro e fora da sala de prática, ele treina posturas para manter a mente a um só tempo alerta e relaxada.

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