“A jornada até a calma não é solitária: pelo contrário, é bem acompanhada”

Helena Galante compartilha como escutar ativamente: "Respire fundo. A gente tem muito que conversar, é verdade, mas sem afobação fica mais gostoso"

Respire fundo. A gente tem muito que conversar, é verdade, mas sem afobação fica mais gostoso (eu e você sabemos disso)

Desde junho, quando entrei no estúdio para gravar o primeiro podcast Jornada da Calma, falo algo assim para mim mesma antes de começar as entrevistas. É um jeito de me lembrar de um ensinamento poderoso: “Toda grande caminhada começa com um simples passo”. Poderia ser só mais uma das tantas frases inspiradoras pelas quais a gente passa batido, mas ela chegou até mim num momento singular de muita clareza. Foi quando eu tomei a decisão de dar o primeiro passo e fazer algo por nós.

O mundo está bem louco, não encontro palavra melhor para descrever o atropelo das emoções, as reações ríspidas, a correria em vão contra o tempo que nos prende no mesmo lugar. Tem de haver um outro jeito. Dá para ser mais leve. Eis a confiança que me levou a outras pessoas que também estavam buscando recalcular a rota para longe do que aprendemos a chamar de normal — mas que nunca trouxe satisfação — e chegar mais perto de se estabelecer num lugar mental tranquilo e cheio de gentileza.

Assim como nesta coluna A Tal Felicidade, que desde a estreia, em outubro do ano passado, eu tenho o prazer de editar, lá nessa espécie de programa de rádio pela internet que é o Jornada da Calma as fórmulas prontas não têm vez. Toda segunda-feira cedinho, quando talvez dê aquela vontade condicionada de desanimar, um novo programa vai ao ar para fazer um convite. Que tal se a gente sossegar um pouco e só passar meia horinha juntos?

Para apontar o caminho até esse feliz encontro, eu sigo um único guia: o relacionamento. Quando estou diante de um entrevistado, faço um treino consciente de trocar qualquer medo ou insegurança autocentrada pela atenção total a quem está ali. Todos que, com muita generosidade, toparam sentar-se diante do microfone e compartilhar suas histórias, de alguma forma, haviam tocado meu coração. Então eu desfruto a sua presença e escuto de verdade o que cada um tem a dizer. Escuto sem nenhuma vozinha na minha cabeça já tentando formular uma próxima pergunta ou discordando de alguma opinião. Escuto pelo prazer de escutar e pela beleza que é compartilharmos a existência.

Esse exercício de ficar presente exige abertura. Já tentou conversar com alguém que está preocupado em manter uma pose? Pois é, não rola, a interação fica vazia. Entendi que era preciso me despir dos papéis que tinha inventado para mim. A “mágica” é que, quando baixamos as nossas defesas, descobrimos um elo entre nós. Nesse lugar em que todos somos iguais, a calma vai chegando de mansinho e se firmando, arrebatando a entrevistadora, o entrevistado e você, ouvinte, caso decida apertar o play.

Descobri que a jornada até a calma não é solitária: pelo contrário, é muito bem acompanhada. Pode conduzir alguns de nós para a meditação no alto da montanha, outros para as artes ou até mesmo para o universo corporativo, não importa a linha de chegada. Vale mesmo cada passo dado lado a lado. Se você se perder, eu estarei aqui. Se eu me perder, vou procurar você também. Topa? Vamos juntos.

 (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Helena Galante é editora da Vejinha e criadora do podcast Jornada da Calma. Toda segunda, uma nova entrevista vai ao ar no YouTube, no Spotify e em outras plataformas digitais com ferramentas para ajudar a escolher a serenidade no dia a dia. Seu Instagram é @helenagalante e o e-mail, hgalante@abril.com.br.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 16 de outubro de 2019, edição nº 2656.

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