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Vida Boa Por Bárbara Öberg A repórter Bárbara Öberg fala sobre bem estar, exercícios, saúde e novidades para melhorar a rotina.

O dia em que conduzi a tocha olímpica

  Estão rolando toda a sorte de notícias ruins em torno da Olimpíada no Brasil: meta que não se cumpre, desorganização, vilas aos pedaços e, pra completar, uma maré de azar em torno dos condutores da tocha. Participar do revezamento e correr com a “bicha” acesa em Ubatuba, no litoral de Sampa, seria, digamos, um teste […]

Por VEJA SP Atualizado em 26 fev 2017, 11h03 - Publicado em 28 jul 2016, 16h05

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Estão rolando toda a sorte de notícias ruins em torno da Olimpíada no Brasil: meta que não se cumpre, desorganização, vilas aos pedaços e, pra completar, uma maré de azar em torno dos condutores da tocha. Participar do revezamento e correr com a “bicha” acesa em Ubatuba, no litoral de Sampa, seria, digamos, um teste de sobrevivência à essa zica.

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Na manhã de ontem (27), ainda desconfiada da minha falta de jeito, jurei que não cairia. Mais que isto: a despeito da “maldição da tocha” e das encrencas em torno dos jogos, incorporaria o espírito olímpico dos atletas. Era um mantra pra eu me proteger. Nem precisou. Tudo simplesmente mudou quando conheci a entusiasmadíssima Carol e, na sequência, a não menos animada, Maria Thereza, a quem, no final, já estávamos chamando de Tetê – vai vendo.

A dupla trabalha na empresa Cerimônias Cariocas, que ganhou a licitação e faz a organização do revezamento. Um trabalho temporário, portanto. Ao todo, a equipe que integra o comboio do revezamento da tocha tem mais ou menos 200 pessoas. Fora os outros quase 200 no escritório. Um batalhão. Gente espirituosa e que te faz sorrir, em meio a tantos acontecimentos trágicos.

Conversar com elas, no micro-ônibus que leva a gente até o ponto de encontro onde cada atleta (ou entusiasta) irá correr seu trecho, foi um banho de brasilidade, entusiasmo e pureza. E olha que elas não são meninas. São mulheres. Se nota a verdade no olhar, no jeito que elas se emocionam – e já estão fora de casa, com a mesma equipe do comboio, há 86 dias. Quase três meses, portanto, cruzando o Brasil. E repetindo a mesma história, várias vezes, já que chegam a ser até sete cidade num mesmo dia.

Do nosso papo informal (eu estava ali como condutora da tocha, mas a gente não esquece, jamais, de ser repórter), colhi algumas curiosidades e, sim, incorporei o espírito dos jogos, acenando pras pessoas que aplaudiam e se emocionavam ao nos ver com a tocha. Confira algumas delas, a seguir.

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1) E se a minha tocha apagar, o que eu faço? Pode ter qualquer tentativa de boicote, a chama sim, se apaga, mas leva rápidos 15 segundos pra ser acesa novamente.

2) Tem uma equipe de guardiões da tocha. São seis lamparinas que vieram, de avião, com a chama acesa em Olímpia, na Grécia. Estão divididas em três pares. Uma dupla de pessoas cuida de uma dupla de chamas.

3) Os guardiões ficam 24 horas com as lamparinas. Eles dormem, mas as chamas, jamais.

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4) Duas delas ficam sempre “escondidas” em lugares estratégicos da cidade por onde a tocha irá passar. Nunca se sabe quando tem um louco querendo acabar com a festa.

5) A equipe é a mesma desde o começo. Ao fim do dia dormem numa cidade diferente e reorganizam tudo outra vez. São caminhões com material, uniformes, malas separadas e etiquetadas.

6) Na rota, estão quase 300 cidades brasileiras. Um total de 20 mil quilômetros em terra e 10 mil milhas aéreas em trechos.

7) Cada condutor corre apenas 200 metros. Mesmo que você ande em câmera lenta, a coisa não dura dois minutos.

8) Um australiano chamado Simon, e carinhosamente conhecido como “O comando”, é o mais experiente da turma. Ele já faz parte do revezamento da tocha há um bocado de anos, e fica anônimo entre os carros do comboio.

9)  Nem todos ganham a tocha com a qual correm. É uma decisão do patrocinador. Sim, eu ganhei a minha da Coca-Cola.

10) Quem não ganhou pode comprar, mas custa R$ 2 mil.

11) Na prática, a tocha é como um isqueiro gigante. Tem um gás que acende com o fogo.

12) O ato de acender a tocha do outro condutor no revezamento se chama “beijo do tocha”.

13) Quando você recebe a tocha de volta, se ganhou ou comprou, os organizadores retiram o gás. Jamais poderei acender a minha outra vez.

14) O revezamento da tocha, com a participação de diversas pessoas, surgiu em Berlim em 1936.

15) O nome do último convidado a carregar a tocha (e, consequentemente acender a pira olímpica) é mantido em segredo e revelado apenas instantes antes na abertura dos Jogos. O candidato mais forte é Pelé.

 

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