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Na Plateia Tudo sobre teatro

Teatro: os melhores do ano de 2019 nos palcos paulistanos

Os principais destaques de uma temporada de bons atores e temas variados

Por Dirceu Alves Jr. - Atualizado em 20 dez 2019, 11h02 - Publicado em 20 dez 2019, 10h02

O espetáculo do ano

O projeto Balada dos Enclausurados reuniu duas peças em uma só, apresentadas em sequência, para discutir opressão e loucura. Em um desempenho arrebatador, Eric Lenate, além de protagonizar, escreveu Testemunho Líquido. O solo, dirigido por Erica Montanheiro, remete ao bailarino Vaslav Nijinsky (1890-1950), que, internado em uma clínica psiquiátrica, guarda vaga memória dos áureos tempos em que dançava. Também autora, Erica deu um salto como atriz na pele da artista plástica Camille Claudel (1864-1943) em Inventário, dirigido por Lenate. No fim da vida, a escultora francesa tenta se livrar dos seus fantasmas masculinos. Para quem perdeu, os espetáculos voltam ao cartaz em fevereiro.

As direções de Rodrigo Portella

Com as peças Tom na Fazenda e As Crianças, o diretor Rodrigo Portella, de 42 anos, se firmou como destaque da temporada. A primeira, estrelada por Gustavo Vaz e Armando Babaioff, lotou o Sesc Santo Amaro com uma trama sobre homossexualidade e sentimentos camuflados. As Crianças, por sua vez, reuniu os atores Analu Prestes, Mario Borges e Andrea Dantas. A história, sobre um casal de físicos nucleares aposentados que recebe a visita de uma colega, traz discussões sobre longevidade e responsabilidade social.

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Exemplo de autoficção

Victor Garcia Peralta dirigiu o drama Tebas Land, nova incursão do autor uruguaio Sergio Blanco no terreno da autoficção, fusão entre elementos biográficos e outros inventados, sem fronteiras nítidas. Otto Jr. viveu um dramaturgo que entrevista um jovem (o ator Robson Torinni) que matou o pai para escrever uma peça sobre parricídio.

Dramaturgia sobre passado recente

Depois de Cais (2012) e Sínthia (2016), o autor e diretor Kiko Marques criou em Casa Submersa uma dramaturgia que enfoca o coronelismo e a corrupção enraizados no Brasil após a redemocratização. A montagem da Velha Companhia é centrada em uma mulher (papel de Virgínia Buckowski) que revisita as origens para entender a morte do pai, há duas décadas.

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Uma comédia de fôlego

O Mistério de Irma Vap voltou desconstruída e tão engraçada quanto nos anos 80. Mateus Solano e Luís Miranda deram um show na pele dos múltiplos personagens defendidos, no passado, por Marco Nanini e Ney Latorraca. O diretor Jorge Farjalla se firmou como um dos mais talentosos da atual safra. A montagem retorna ao cartaz em fevereiro, no Teatro Procópio Ferreira.

Um clássico revigorado

Sob a direção de Eduardo Tolentino de Araujo, O Jardim das Cerejeiras, escrito pelo russo Anton Tchecov em 1904, abriu a temporada em janeiro e lotou o Teatro Aliança Francesa por cinco meses. O drama de uma família decadente em uma propriedade rural prestes a ser leiloada rendeu ótimos desempenhos a Clara Carvalho, Sérgio Mastropasqua e Anna Cecília Junqueira.

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Musical brasileiro

Na reta final, Samba Futebol Clube fez a alegria da plateia, mesmo entre quem não curte jogar bola ou é doente do pé. O espetáculo, escrito e dirigido por Gustavo Gasparani, reuniu oito atores, cantores e instrumentistas que trouxeram ao palco clássicos da MPB e dramatizações de textos de Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos e Armando Nogueira.

Três solos marcantes

De Volta a Reims. O ator Pedro Vieira consolidou-se como artista potente e comunicador de ideias. Dirigido por Cácia Goulart no monólogo de Reni Adriano, ele contou a história de um homem que, depois de trinta anos, regressa à cidade natal e encara a família humilde e sem instrução deixada para trás.

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Eu de Você. Denise Fraga encantou no brilhante solo, resultado de uma dramaturgia coletiva finalizada por ela, Rafael Gomes e pelo diretor Luiz Villaça. A atriz viveu mais de uma dezena de personagens, descobertos através de entrevistas, cartas e depoimentos de pessoas de vários cantos do país.

Sísifo. O ator Gregorio Duvivier e o dramaturgo Vinicius Calderoni recorreram ao mito grego para criar a imagem do homem contemporâneo. Em sessenta cenas de um minuto, o protagonista subia uma rampa com tremendo esforço para depois refazer o trajeto. O tom cômico passava por um gosto amargo, e vinha a crítica social.

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