Dirceu Alves Jr.

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Para as atrizes de “A Partilha”, o tempo permanece congelado

Os caçadores de clichês que me perdoem, mas “A Partilha” foi um divisor de águas na carreira de Miguel Falabella. Depois dessa comédia familiar, ele ganhou notoriedade como dramaturgo, virou um bom autor de novelas e tornou mais esporádica e menos surpreendente sua então promissora figura de ator. Quando “A Partilha” estreou no Rio de […]

Patricya Travassos, Susana Vieira, Thereza Piffer, Arlete Salles e o autor e diretor de “A Partilha”, Miguel Falabella (Foto: Robert Schwenck)

Os caçadores de clichês que me perdoem, mas “A Partilha” foi um divisor de águas na carreira de Miguel Falabella. Depois dessa comédia familiar, ele ganhou notoriedade como dramaturgo, virou um bom autor de novelas e tornou mais esporádica e menos surpreendente sua então promissora figura de ator. Quando “A Partilha” estreou no Rio de Janeiro, em janeiro de 1990, em uma sala de pouco mais de uma centena de lugares, o que viesse seria lucro. Quer dizer, mais ou menos, né? As estrelas Arlete Salles, Natália do Valle e Susana Vieira (na época, ainda Suzana com Z) estavam no time completado pela novata Thereza Piffer. Falabella sempre confiou no seu taco e escudado por esse popular mulherio teve a chance de dizer a que veio.

Ok, vamos parar com os clichês, mas estou brincando para dizer que “A Partilha” resultou de um bem-sucedido e emocionante conjunto deles, usados com profundo bom gosto e o talento inegável de Falabella. Quatro irmãs de personalidade opostas se reencontram numa hora de dor. A mãe faleceu, e elas precisam dividir o bem que restou, um apartamento. Três delas têm 40 e tantos ou 50 e poucos anos. Uma casou-se com um militar, a outra é a esotérica viajandona e uma terceira é chique, circula pela Europa e largou o marido por uma paixão. A caçula, de 25 anos, é uma acadêmica cabeça e surpreende a todas ao anunciar que é lésbica.

Foram seis anos em cartaz, mais de um milhão de espectadores nos teatros, um filme bem legal (com Glória Pires, Lilia Cabral, Andréa Beltrão e Paloma Duarte), diversas montagens por aqui e algumas no exterior.  Também teve uma continuação batizada de “A Vida Passa…” em 2000 ­– montada na mesma época do do longa-metragem, a peça trazia o quarteto original dos palcos e não rendeu o esperado. A novidade é que no dia 3 de agosto “A Partilha” está de volta ao cartaz, no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, com seus 926 lugares. A temporada comemorativa será curta e se estenderá até 30 de setembro na capital fluminense. No dia 19 de outubro, as quatro irmãs de Falabella chegam a São Paulo no Teatro Shopping Frei Caneca.

Arlete Salles, Susana Viera (agora, Susana com S) e Thereza Piffer abraçaram as mesmas personagens de duas décadas atrás. A insistência foi grande, mas Natália do Valle não topou. Para viver a reprimida Selma, a casada com o militar, entrou Patricya Travassos e esta parece a escalação mais adequada – pelo menos na faixa etária. Um clichê do teatro é dizer que “ator não tem idade” e que “a magia é tão grande que aos, digamos, 60 anos você pode fazer uma menina de 20”. Vamos torcer para que os clichês mais uma vez sejam salvadores. Todas são boas atrizes, mas fica difícil redimensionar aqueles mesmos conflitos às suas idades atuais. Claro… Falabella deve ter feito uma adaptação em um ponto ou outro do texto original, mas precipitadamente confesso meu receio – a quem interessar possa. O perigo é a “A Partilha” perder a delicadeza e a sensibilidade da trama em nome da chanchada ou de um humor involuntário.

Natália do Valle, Arlete Salles, Suzana Viera (ainda com Z) e Thereza Piffer na montagem lançada em 1990 (Foto: Divulgação)

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