Dirceu Alves Jr.

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Morre o dramaturgo Zen Salles, aos 45 anos

O autor das peças Genet, O Poeta Ladrão, Pororoca e Tadzio trava em seus textos da temática LGBT e de questões regionais

O dramaturgo maranhense Zen Salles morreu no fim da tarde de segunda (25), aos 45 anos, em São Luís, no seu estado natal. Ele sofreu um infarto fulminante e estava na cidade, onde vive sua família, para tratar de problemas de saúde decorrentes de uma artrite. Radicado em São Paulo há 16 anos, o autor também era jornalista e se destacou ao escrever peças que abordavam a temática regional e a questão LGBT sob enfoques críticos e polêmicos. O trabalho de maior repercussão foi Genet, O Poeta Ladrão, dirigido por Sérgio Ferrara em 2013, que partia da obra do escritor, poeta e dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986) para tratar de preconceito, exclusão e da violência que atinge os homossexuais ainda no século XXI.

Ezeniel Sales e Silva foi aluno do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council entre 2009 e 2010. No período, escreveu Pororoca, escolhido entre mais de duzentos textos, para ser montado depois do fim do curso. O espetáculo, dirigido por Sérgio Ferrara, cumpriu temporada de seis meses no Teatro do Sesi, e Salles recebeu a indicação na categoria de melhor dramaturgo de 2010 pela Cooperativa Paulista de Teatro. Pororoca é inspirado nas lendas e mitos do seu estado natal para narrar os efeitos que os fenômenos naturais causam nos moradores das margens do Rio Mearim. Entre esses personagens estão a índia Jacy, que de tão velha já perdeu até a sombra, e brincantes do bumba meu boi que tiveram suas pernas devoradas pelas piranhas. 

O salto se deu com Genet, o Poeta Ladrão, também dirigido por Ferrara, em uma encenação que trazia os atores Ricardo Gelli, Fransérgio Araújo, Nicolas Trevijano, Rogério Britto e Felipe Palhares, entre outros. A dramaturgia construída por Salles usava os personagens criados pelo autor das peças O Balcão e As Criadas para melhor explicar a identidade do escritor, poeta e dramaturgo. Homossexual assumido, Genet foi morador de rua, presidiário e militante político e, no palco, era representado por Gelli.

A peça Tadzio, dirigida por Dan Rosseto em 2015, foi outro destaque na sua obra. A pedofilia nos bastidores religiosos é o centro da trama. Na história, um rapaz de 25 anos, ordenado sacerdote, relembra sua trajetória na Igreja Católica. As principais memórias remetem ao contato com o padre Enoque, que ficou obcecado pelo garoto rebelde de 13 anos assim que ele passou a frequentar sua paróquia. O elenco contava com os atores André Grecco, Lucas Lentini e Rita Giovanna. Salles também integrou a equipe de roteiristas da série de televisão Sessão de Terapia, dirigida por Selton Mello e exibido no GNT.

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