Dirceu Alves Jr.

Na Plateia

Tudo sobre teatro

Mônica Martelli colhe louros da vida em Marte: “Tô apaixonada num grau…”

A atriz voltou ao cartaz com a comédia "Minha Vida em Marte", engata a quarta temporada de seriado no GNT e comenta namoro com empresário do showbiz

Mônica Martelli voltou aos palcos paulistanos no dia 3 com a comédia Minha Vida em Marte, que já tinha cumprido temporada no mesmo Teatro Procópio Ferreira entre agosto e dezembro do ano passado. A diferença é que, nessa reestreia, a atriz está de namorado novo – o empresário Fernando Alterio – e com a conta bancária bem mais forrada. A bonança tem explicação fácil. A adaptação de Minha Vida em Marte para as telas, dirigida também por Susana Garcia e lançada em pleno Natal, levou mais de cinco milhões de pessoas aos cinemas. A artista ainda está no ar no sofá de debates do programa Saia Justa e com a quarta temporada da série Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou, tudo no GNT. Mônica trabalha muito, então, vamos deixá-la falar um pouco mais.

Não tem um lado sofrido falar o tempo todo das desilusões amorosas? `

Para tudo é necessário tempo. Eu me separei em 2012 do Jerry Marques, pai da minha filha, Júlia, que hoje tem 9 anos. Só comecei a trabalhar no texto de Minha Vida em Marte dois anos depois. Nessa fase, a dor tinha passado ou, pelo menos, enxergava a separação de maneira distanciada. Queria levar ao palco a rotina do casamento, o desencanto e o fim daquele sonho da Fernanda. A dor não é só porque a pessoa que a gente tanto amou foi embora. Não é o pé na bunda que nos faz chorar. É reconhecer que um futuro tão planejado de viver junto não vai ser possível. Sabe quando você se dá conta de que nunca mais papai, mamãe e filhinha vão dividir a mesma cama? Essa intimidade não se repetirá. É um modelo familiar que acabou.

Como você percebe que sua filha lidou com a separação de vocês e como lida hoje?

A separação também pode ser boa para os filhos. Depois de um luto, eles também ficam felizes, entendem que o papai e a mamãe continuam lado a lado, talvez até mais unidos. Eu tinha 12 anos quando meus pais terminaram o casamento e, com o tempo, entendi que foi o melhor para todos nós. Fiquei feliz porque não vi mais desentendimentos, brigas, o clima pesado que envolve uma crise. Eu moro em São Paulo há pouco mais de um ano. O pai da Júlia nos visita sempre e fica hospedado em minha casa. Nós redescobrimos uma amizade que estava abalada. Enxergamos outras formas de nos relacionar.

No cinema, você tentou amenizar um pouco o drama da separação para deixar o filme mais cômico?

Tanto o longa como a peça têm o drama da separação. Só que o filme virou um tratado sobre a amizade, é outra coisa. Trata muito mais da relação da Fernanda com o Aníbal (interpretado no filme por Paulo Gustavo) e como um amigo é importante na hora de atravessar um momento difícil. Quando a barra do casamento pesa, a gente luta com todas as forças para que seja só mais uma crise, como outras que foram superadas. Precisamos acreditar que vai dar certo. Se não for assim, não dá para viver e se relacionar. Eu vejo algumas cenas que simbolizam para a Fernanda o fim do casamento com o Tom (papel de Marcos Palmeira). O interesse dela pelo professor de hidroginástica e a paquera na academia são situações que mostram o término desse ciclo. Depois, claro, ela descobre a traição e vem a separação.

Mas o bacana é que, apesar de todos os desencontros, você e a Fernanda continuam apaixonadas pelo universo masculino, não?  

Eu tenho horror de peça feminina que fica falando mal do homem. Sim, a gente gosta deles (risos). Não existe um vilão. Os dois acertam e erram em um relacionamento e, assim, caminham para um amadurecimento.

A que você deve esse encanto do público com a Fernanda e, logo, com você?

Existe uma verdade em tudo o que faço. Quem me conhece sabe que eu sou a mesma no palco, na vida, no programa Saia Justa. As pessoas percebem isso e se identificam comigo. Eu me exponho – e, dessa exposição, se cria uma intimidade. Eu fico horas pensando em cada off que gravo para a série porque nada pode soar falso. É um jogo limpo comigo e com os outros. Tem dado certo.

O seu sucesso começa em uma fase anterior à febre das redes sociais. O que mudou depois delas?

Existe uma exposição maior. Não é mais aquela pessoa que cruza com você em uma esquina e puxa um assunto. Muitas mulheres me pedem conselhos, mandam mensagens sobre questões bastante íntimas. Uma moça me contou que foi abandonada pelo marido com filhos gêmeos pequenos. Pesado, não é? Então, ela me conta que está vendo tudo o que tem a meu respeito no Youtube e, assim, passou a enfrentar melhor o problema. Eu vou deixar de falar com essa mulher? Não, não posso. Eu conto que levei muito pé na bunda, que tomei remédio para enfrentar uma separação.

Essa exposição não é um pouco exagerada ou quem fala, nesse caso, é a Fernanda?

Não, sou eu, eu me exponho mesmo e não vejo problema. Não estou inventando nada. Falo sobre a minha vida. As pessoas chegam até a mim pelo lado positivo, como uma conselheira. É para ir mais longe? Vamos lá! Sou uma mulher e menstruo todo mês. É claro que me masturbo, que tenho um vibrador em minha casa. Por que não vou falar disso? Rola uma identificação. Todo mundo tem histórias para contar. Só depende do olhar, da forma como você vai transmitir essa experiência. Eu conto de um jeito positivo. Virou até uma missão.

Esse admiração tem a ver porque você virou uma profissional bem-sucedido, não?

Eu sempre tive uma carreira difícil, dura, cheia de ralação até conhecer o sucesso com Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou. Muita coisa mudou, claro, e eu me tornei popular. Mas eu continuo ralando muito e posso garantir que entrego a mesma dedicação ao sucesso e ao fracasso. Trabalho dez, doze horas por dia. O filme é todo roteirizado. Parece que tem muito improviso? Não tem. Eu e Susana cuidamos de cada diálogo e acompanhamos a edição. Essa persistência faz parte da minha personalidade.

Inclusive no amor, não é?

Eu preciso dar certo no amor porque na carreira já me encontrei.

Mas você está namorando o empresário Fernando Alterio, presidente da produtora Time For Fun…

Sim, e estou apaixonada em um grau que nem é bom falar (risos). A gente se conhece há muito tempo, e, há poucos meses, a coisa aconteceu. Não tem muita explicação. Eu me jogo mesmo e, se dá errado, vou para o fundo do poço. Sofro feito louca, mas aprendi que não morro. Com o passar da idade, o sofrimento demora um pouco mais para passar. Aos 50, você não entra em crise e sai para a balada beijando na boca duas semanas depois. O processo é mais demorado, mas não mata ninguém.

E como é lidar com a Júlia diante dos seus novos relacionamentos?

Eu converso muito com o meu terapeuta e com a terapeuta da Júlia para entender como essas informações podem entrar na vida dela. Minha filha não pode acordar um dia e ver um cara estranho que dormiu na nossa casa. Existe um caminho até ela tomar contato com meu namorado. Primeiro é “olha, a mamãe está solteira e conheceu um cara legal”. Depois de um tempo, eu conto que começamos a sair e passamos a namorar. E chega a hora em que minha filha percebe que sou uma mulher de 50 anos, que tenho uma vida e, então, esse cara também pode fazer de uma nova vida que a gente vai construir daqui para frente.

O jogo com ela também é sempre tão aberto?

Na maioria das vezes. Eu me tornei mãe aos 40 anos e nunca fui radical com nada. Um dia, me falaram que era preocupante a Júlia gostar tanto de brincar de Barbie. Por que, meu Deus? Ninguém cresce e continua usando fralda. Ninguém brinca de Barbie a vida inteira, então tudo tem seu tempo. Deixo a minha filha ser criança sem tanta ansiedade. Nós duas conversamos sobre tudo o tempo todo, sobre o meu trabalho, sobre alguns momentos em que preciso ficar mais ausente. Quero ser mãe, mulher, atriz, produtora, irmã, filha, amiga, tudo que for possível, e só assim eu sou feliz.

Você não sente falta de novos personagens, não rola uma certa acomodação?

Juro que essa crise ainda não me pegou. Não vou abandonar meus projetos se eles ainda dão certo. Afinal, foi por conta deles que eu me fiz como profissional. A Fernanda ainda rende inspiração para mim. Por exemplo, fiquei mais de um ano solteira e estou com uma ideia na cabeça. Vou escrever uma peça sobre como é viver solteira aos 50 e mostrar que é possível ser feliz. É uma fase mais complicada. Você não é uma gatinha, não tem tanta resistência e paciência, mas está muito bem, com a cabeça a mil. O meu tesão é falar as coisas que eu quero através dos meus personagens. E por que não através da Fernanda?

Então, podemos ter a Fernanda para sempre, cobrindo todas as fases da vida da Mônica?

Por que não? Depois da Fernanda solteira aos 50, pode ser a Fernanda na menopausa, a Fernanda sessentona, a Fernanda avó. Por que não?

O espetáculo Os Homens São de Marte… foi um fenômeno, daqueles que só acontece uma vez na vida de um artista. Como lida com isso em relação à carreira de Minha Vida em Marte?

Sei que ainda sou muito fora da curva. Eu vivo de bilheteria, não tenho patrocínio e reúno um bom público em todas as apresentações. Mas é uma situação completamente diferente da que eu vivi em Os Homens São de Marte… e enxergo muito bem isso. Começamos o espetáculo em 2006 e, durante a maior parte de sua carreira, o Brasil vivia uma economia estável, todo mundo estava com mais grana, mais feliz, sem medo de sair às ruas e sofrer violência. Agora, tudo mudou e, claro, que reflete nessa temporada, mas sei muito bem que não posso reclamar.

Não existe ainda um espaço ou mesmo a necessidade de fazer uma novela, por exemplo?

Eu não tenho paciência para depender de televisão. Se assinar um contrato de novela, eu deixo de fazer a minha série, não vou conseguir rodar o país com meu espetáculo e isso eu não quero. Já rejeitei alguns convites. Mas também acho que que essa é uma característica das atrizes da minha geração. Olha o sucesso que Ingrid Guimarães faz com os filmes da série De Pernas para o Ar. Temos a Heloísa Pérrissé com uma trajetória diversificada. Denise Fraga é uma atriz que banca seus projetos, seja no teatro, no cinema ou na TV. Nós descobrimos o nosso caminho, que também pode incluir a TV, mas não só ela.

+ Minha Vida em Marte (70min). 14 anos. Estreou em 17/8/2018. Teatro Procópio Ferreira. Rua Augusta, 2823, Jardim Paulista. Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 100,00 (sexta) e R$ 120,00 (sábado e domingo). Até 7 de julho.  

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s