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Karin Hils, de “Sexo e as Negas” para “Mudança de Hábito”: “sei cada fala de cor desde a minha adolescência”

Karin Hils tem um vozeirão. Diz um simples “alô” no telefone e já impressiona o interlocutor. Imagina no palco… A atriz e cantora fluminense de 35 anos bateu um papo meio corrido comigo enquanto provava figurinos, fazia fotos e testava maquiagem para aquele que pode ser o papel de sua vida: a Deloris da versão […]

Karin Hils: protagonista de "Mudança de Hábito", que estreia em 5 de março

Karin Hils: protagonista do musical “Mudança de Hábito”, que estreia em 5 de março

Karin Hils tem um vozeirão. Diz um simples “alô” no telefone e já impressiona o interlocutor. Imagina no palco… A atriz e cantora fluminense de 35 anos bateu um papo meio corrido comigo enquanto provava figurinos, fazia fotos e testava maquiagem para aquele que pode ser o papel de sua vida: a Deloris da versão brasileira do musical “Mudança de Hábito”, que estreia em 5 de março no Teatro Renault. Trata-se da personagem consagrada por Whoopi Goldberg no filme dirigido por Emile Ardolino em 1992.

Desde já, é a realização de um sonho. Karin começou a se mostrar como artista em um reality show, o “Popstars”, em 2002, e integrou por três anos a finada girl band Rouge. Está lembrado dela? Sem se entregar, ela migrou para as produções musicais do teatro e caiu nas graças de Miguel Falabella, que a escalou para a novela “Aquele Beijo” (2011). Esse ano, o ator, diretor e dramaturgo lhe confiou uma das protagonistas do seriado “Sexo e as Negas”, a camareira Zulma.

E então… Quase preparada para viver a personagem de Whoopi Goldberg no teatro?

É uma coisa inacreditável participar de uma produção desse tamanho. Já estou provando figurino e maquiagem quatro meses antes da estreia. Os ensaios começam em 12 de janeiro e vai ser um batidão, com dedicação total. Esse trabalho não podia ter chegado num momento melhor. Por isso, eu nem sei definir o tamanho da expectativa. Só digo que ela é muito, muito grande. Não quero de jeito nenhum parecer pretensiosa, mas foi o personagem que consagrou a imagem e o talento da Whoopi Goldberg. Então, eu gostaria que essa bênção acontecesse comigo também. Essa personagem faz parte da minha vida.

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Quais são as lembranças de quando viu o filme?

“Mudança de Hábito” foi fundamental na minha transição da adolescência para a vida adulta. Eu lembro como se fosse hoje a primeira das muitas vezes em que eu o vi. Tinha uns 15 anos. Não foi imediatamente na época do lançamento nos cinemas. Eu vi em casa mesmo em um daqueles videocassetes antigos que tínhamos. Era uma fita VHS e eu parava e rebobinava o tempo inteiro para rever as cenas. Sei cada fala de cor desde a minha adolescência. Eu ouvia “se você quiser ser alguém e chegar a algum lugar, acorda e vá cantar” ou então “vá logo cantar, você já devia estar cantando há muito tempo”. Essas frases ficavam na minha cabeça. Dormia e acordava pensando naquilo porque era a representação do meu sonho, da coisa que eu mais queria na vida. Mas minha realidade não permitia que eu pensasse nisso.

Karin Hils no camarim do Teatro Renault: teste de maquiagem para "Mudança de Hábito" (Fotos; Divulgação)

Karin Hils no camarim do Teatro Renault: teste de maquiagem para “Mudança de Hábito” (Fotos; Divulgação)

A sua família era humilde e você não sabia por onde começar?

Nem imaginava. A minha mãe era uma dona de casa. Para reforçar o orçamento, ela confeccionava sombrinhas e guarda-chuvas e vendia produtos de beleza. Eu sempre a ajudei também. Até conseguia uma boa clientela (risos). O meu pai, sim, carregava o dom da música. Foi puxador de samba durante muito tempo na minha cidade, Paracambi. Mas eu jamais tive o prazer de ouvi-lo cantar. Acho que foi uma coisa que ele deixou guardada lá atrás, na juventude dele. Eu fui a primeira a sair em busca do meu sonho.

Como aconteceu a transição de cantora do Rouge para o teatro musical? 

Miguel Falabella percebeu que eu tinha esse dom na época das audições de “Hairspray”. Foi lá que nos conhecemos e ele nem sabia que eu tinha sido integrante do Rouge. Passei a ser stand-in da atriz e cantora Graça Cunha, que faz parte da banda do programa “Altas Horas” e ficava comprometida com as gravações em alguns dias. Logo depois vieram “Emoções Baratas” e “Hair”, que foi um acontecimento na minha vida, uma coisa transformadora. Quando soube que “Mudança de Hábito” seria montado no Brasil, eu passei a direcionar um pensamento positivo muito forte para que esse papel viesse para minha mãos. Eu imprimi uma foto da Whoopi Goldberg e coloquei na parede do meu quarto. Também baixei uma imagem dela para ficar de papel de parede do meu celular. Eu não sei explicar muito, mas tinha certeza de que fazer essa corrente positiva me ajudaria.

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Vai ser possível tirar férias entre o final das gravações do seriado e o começo dos ensaios, em janeiro?

Eu termino de gravar “Sexo e as Negas” no final de novembro e saio de férias. Quero tentar ir para Barcelona assistir à montagem de “Mudança de Hábito” em cartaz na Espanha. Acho que esse personagem chega na hora certa, sabe? Tenho 35 anos e 15 de carreira. Vou ser uma protagonista no teatro no momento em que o público conheceu meu trabalho de atriz na televisão.

O seriado “Sexo e as Negas” foi vítima de uma campanha negativa muito pesada, antes mesmo da estreia. Como você viu essas acusações de que a temática do programa é racista?

Olha, qualquer tipo de manifestação é bem-vinda se tem o objetivo de intensificar o debate. O que não concordo é com a violência e, principalmente, com o preconceito e a injustiça. Foram essas duas questões que envolveram a polêmica em torno do seriado. Qualquer pessoa que conhece o Miguel Falabella, seja na vida profissional ou pessoal, sabe que ele é o cara menos preconceituoso do mundo, é o contrário de tudo o que foi dito por aí. Mas, felizmente, essa polêmica chamou a atenção do público. O retorno tem sido ótimo. O seriado trata de temas importantes. São quatro mulheres batalhadoras, firmes e que não se entregam. Eu conheço pessoas como elas e sei o que é driblar a barra de todos os dias, o transporte público lotado, o assédio, o próprio preconceito. O mais bonito é que o Miguel Falabella apresenta ali mulheres que, acima de tudo, são felizes e solares.

"Sexo e as Negas": Karin Hils e Bia Nunnes no seriado da Globo (Foto: Divulgação)

“Sexo e as Negas”: Karin Hils e Bia Nunnes no seriado da Globo (Foto: Divulgação)

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