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Juca de Oliveira sobre “Mãos Limpas”: “Sergio Moro ainda não viu a peça”

O ator e dramaturgo fala da comédia, sucesso de público que volta ao cartaz no Teatro Renaissance em 3 de janeiro

Estava fazendo falta uma comédia política nesse momento?

Não escrevi Mãos Limpas pensando em fazer uma comédia política. Nem a considero uma. Eu simplesmente escrevo. Ocorre que os defeitos e a falta de integridade do ser humano acabam suscitando o riso. O herói trágico prefere a morte a viver sem honra. O pilantra prefere a grana e provoca o riso.

A peça tratava do ex-presidente Lula como um preso. Com sua libertação houve grandes mudanças de texto?

Minhas peças, como Meno Male ou Caixa 2, refletem o que vivemos. Como Lula foi solto no decorrer da temporada, foram necessárias retificações simples para que a peça não fique datada. Não precisa de ensaios. Só uma conversa entre os atores na noite que o texto é atualizado.

O que o espetáculo ganhou ou perdeu com a libertação do Lula?

Tenho a impressão que não perdeu ou ganhou nada. É só uma atualização. Em Meno Male, o personagem do Luís Gustavo lia em voz alta uma manchete sobre a mesa do chefe. Nós escolhíamos um jornal daquele dia. O público adorava.

O ministro Sergio Moro assistiu ao espetáculo, como mostrou uma foto divulgada nas redes sociais?

O ministro não assistiu ao espetáculo. Um dia, estava no camarim e soube da sua presença no restaurante do Hotel Renaissance. Como o conheço, me ocorreu convidá-lo e fui até lá com o programa do espetáculo. Nos falamos, fiz o convite, mas ele viajaria em seguida para Brasília. Tiramos fotos e nos despedimos. Mas Sergio Moro ainda não viu a peça.

Sua próxima peça terá alguma inspiração no governo de Bolsonaro?

Eu me inspiro na realidade, na constatação de como o povo reage às modificações sociais e o efeito delas sobre suas vidas. É isso que me leva ao computador. Se na minha próxima peça Bolsonaro ainda estiver no governo, com certeza será mencionado.

Você e o ator Fulvio Stefanini levantaram o espetáculo com recursos próprios. Qual a importância disso?

Sim, do nosso próprio bolso. O artista ganha o seu dinheiro com a sua arte. E se orgulha disso porque é daí que nasce a sua independência ideológica. Somos uma cooperativa em que todos os atores são sócios, absolutamente iguais. Recebemos um percentual do resultado da bilheteria. Nós precisamos reativar esse caminho de produção para atrair o público às grandes temporadas, como sempre fizemos no passado e acontece em todo o mundo. Temos entre nós um exemplo com Antonio Fagundes, que se mantém em cartaz apenas com a bilheteria.

+ Mãos Limpas (80min). 14 anos. Teatro Renaissance. Alameda Santos, 2233, Cerqueira César. Sexta e sábado, 21h; domingo, 18h. R$ 100,00 (sex. e dom.) e R$ 120,00 (sáb.). Até 29 de março.

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