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“Gota D’Água {Preta}”: peça reforça diferença de classes e destaca Jasão

O ator e diretor Jé Oliveira apresenta adaptação de musical de Chico Buarque e Paulo Pontes com discurso político sublinhado e elenco negro

Escrito por Chico Buarque e Paulo Pontes, o musical Gota d’Água é inspirado na tragédia grega Medeia e rendeu um desempenho antológico de Bibi Ferreira na montagem original, em 1975. Georgette Fadel, Cleide Queiroz, Izabella Bicalho e Laila Garin foram outras atrizes dedicadas à personagem Joana em releituras de características distintas. Gota d’Água {Preta}, dirigida por Jé Oliveira, transgride ao escalar um elenco predominantemente negro, embalado por instrumentos de percussão africana e elementos eletrônicos do hip-hop.

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A trama, trazida para a periferia paulistana, mostra a ascensão do sambista Jasão (interpretado por Jé Oliveira). Prestes a completar 30 anos, o rapaz larga a batalhadora Joana (representada por Juçara Marçal), mãe de seus dois filhos e quinze anos mais velha, para se casar com Alma (a atriz Marina Esteves), filha do poderoso Creonte (papel do ótimo Rodrigo Mercadante), o dono dos apartamentos do conjunto habitacional onde até então viveu Jasão.

Conectada com os dias atuais, a montagem reforça a desigualdade entre explorados e exploradores e explicita as diferenças de classe em um discurso oportuno. Chama atenção também o curioso fato de esta versão privilegiar, na maior parte do tempo, o ponto de vista de Jasão em detrimento do de Joana, até então tida como protagonista absoluta.

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Os raros números musicais acentuam o peso da duração de três horas e meia, mas não reduzem o impacto dessa incômoda radiografia social e política, que faz jus à proposta de reunir artistas negros. Com Salloma Salomão, Aysha Nascimento, Dani Nega, Ícaro Rodrigues, Mateus Sousa, entre outros (190min, com intervalo). 16 anos. Estreou em 17/2/2019.

+ Centro Cultural São Paulo — Sala Jardel Filho. Rua Vergueiro, 1000, Paraíso. Sexta e sábado, 20h; domingo, 19h. R$ 30,00. Até o dia 24.

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