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Morte de gato a pauladas em cemitério da Zona Leste revolta cuidadores de animais do local

O gato mais querido pelos funcionários do Cemitério da Quarta Parada, na Zona Leste, vivia no local há quinze anos. Era o xodó dos cuidadores de túmulos e dos integrantes da ONG Bicho Brother, que realiza trabalhos de veterinária com os bichos de lá. Desde a última quinta (28), no entanto, a lembrança de Cascão agora é […]

Por Carolina Giovanelli - Atualizado em 26 fev 2017, 16h22 - Publicado em 3 jun 2015, 15h34
Gato Cascão Cemitério

Cascão: xodó do cemitério (Fotos: Arquivo Pessoal)

O gato mais querido pelos funcionários do Cemitério da Quarta Parada, na Zona Leste, vivia no local há quinze anos. Era o xodó dos cuidadores de túmulos e dos integrantes da ONG Bicho Brother, que realiza trabalhos de veterinária com os bichos de lá. Desde a última quinta (28), no entanto, a lembrança de Cascão agora é sinônimo de tristeza.

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O gato preto com manchas brancas foi morto a pauladas e jogado aos cães que vivem no local. O autor do crime não foi identificado, mas a suspeita dos ativistas é que se trate de um dos moradores de rua que adotaram o cemitério como casa há alguns meses.

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“Eles vivem lá dentro. Dormem nos túmulos, nas capelas. Estão matando os animais para fazer churrasco e comer a carne com cachaça”, revolta-se um dos gestores da Bicho Brother, Eduardo Pedroso, de 46 anos. “Cascão era um bicho muito carinhoso, sempre estava por perto.”

Gato Cascão Cemitério

O assassinato teria ocorrido pela madrugada, conforme constatou o veterinário que fez a autópsia no gato. Eduardo contou ter procurado a administração do cemitério para relatar o fato e pedir ações, mas o responsável não estava no local. “Ninguém tomava providências, então eu registrei um boletim de ocorrência na delegacia da região constatando a ausência”, diz Pedroso.

No local, os invasores ainda teriam ameaçado o ativista com pedras. “São mais ou menos dez pessoas. A única proteção contra eles era a da Guarda Civil Metropolitana, que mantinha uma base no cemitério, mas que saiu de lá há algum tempo”, explica o protetor de animais.

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Segundo um dos cuidadores de túmulo do Quarta Parada, que não quis ser identificado, cerca de dez felinos que circulavam por lá foram mortos. “Os invasores preferem os maiores e mais gordos”, diz. Os ocupantes ainda seriam responsáveis por roubos de objetos, como vasos e estátuas de bronze.

Gato Cascão Cemitério

O administrador dos cemitérios da cidade, Frederico Okabayashi, nega a versão de que a ausência do responsável pelo Quarta Parada configure irresponsabilidade. “Ele não necessariamente está no local a toda hora. Precisa sair, fazer cursos ou outras atividades voltadas ao serviço funerário”, afirma.  

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A questão dos moradores de rua é tratada com cautela pela administração. “Não podemos fazer política higienista e retirar os moradores à força. Sempre tratamos isso com compreensão e, na medida do possível, retiramos as pessoas do local.”

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Cascão foi velado no balcão da administração do cemitério pelos próprios funcionários. “Achei chocante tudo isso. Espero que não se repita mais, mesmo sabendo que é uma situação  difícil de ser contida”, lamenta Pedroso.

(Por Felipe Neves)

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