Gatos não gostam de carinho?

O zootecnista Alexandre Rossi responde a dúvida

Essa é umas das perguntas mais comuns que envolve o comportamento dos gatos e seu relacionamento com as famílias.

Característica como espécie

No geral, os felinos são animais mais independentes. Eles podem buscar alimento, caçar e defender o seu território sem a necessidade de auxílio de outros membros da espécie. E os gatos domésticos também mantêm algumas características dos  selvagens. Entretanto, isso não faz deles bichos incapazes de formar vínculos com animais de outras espécies e se sentir bem na companhia deles.

Avaliar como indivíduos

Mesmo levando em conta a característica mais independente, é preciso também considerar outro ponto importante: o temperamento individual. Existem gatos que demonstram claramente uma necessidade de manter proximidade conosco, se esfregando, buscando contato físico e mostrando que um carinho vai muito bem. Quem nunca ouviu a afirmação “nossa, esse gato parece um cachorro”?

Aliás, falando em cães, apesar de terem propensão a gostar mais do carinho humano do que os gatos, existem muitos cachorros que apenas toleram o contato físico com o tutor, mas não demonstram estar realmente gostando da proximidade. E, por outro lado, existem gatos que pulam no colo das pessoas e ronronam prazerosamente quando acariciados.

Por isso, não devemos rotular uma característica comportamental de uma espécie como sendo regra absoluta. Afirmar que gatos não gostam de carinho seria colocar todos eles dentro de uma mesma regra, o que não corresponde à realidade.

Claro que existem aqueles que podem não gostar de contato mais próximo, uma característica individual deles, pelo histórico de vida ou por traumas.

Dá para treinar para curtirem um carinho?

Uma forma de fazer o gato apreciar um pouco mais o carinho (que pode ser importante para nós e uma forma de estreitar o relacionamento com ele) é associar esse contato a algo que o pet aprecie muito. Pode ser algum alimento específico, por exemplo, mas o importante é descobrir o que realmente o motiva e associar esse estímulo com o fato de ser acariciado.

Lembrando que eles costumam preferir carinho de leve na região das orelhas e ao longo do corpo. Na barriga pode ser desagradável, especialmente quando não conhecem a pessoa.

É preciso, de qualquer maneira, respeitar o limite e o tempo dele, sem forçar uma interação ou insistir em um contato físico quando o bichano claramente estiver demonstrado não estar confortável.

Na verdade, ter paciência e observar cada animal dentro de suas características individuais é o grande segredo para conseguirmos uma aproximação e estabelecimento de um vínculo forte e duradouro, independentemente do quanto eles gostem ou não de carinho.

Por Alexandre Rossi, zootecnista, especialista em comportamento animal e sócio-fundador da Cão Cidadão.

Alexandre Rossi, zootecnista

Alexandre Rossi, zootecnista (Divulgação/Divulgação)

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