Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês
Bichos Tudo sobre o mundo pet

Família recebe carta anônima com juramento de morte à cachorra

Texto com ameaça diz que Sol será "morta silenciosamente" por latir; adestrador diz que animal é normal e polícia investiga o caso

Por Vinicius Tamamoto, Guilherme Queiroz Atualizado em 21 jan 2021, 15h00 - Publicado em 21 jan 2021, 14h55

Uma família de Planalto Paulista, na Zona Sul da capital, entrou em pânico após receber uma carta anônima no dia 13 de janeiro com uma ameça de morte. O alvo é a cachorra Sol, uma vira lata de aproximadamente 10 anos de idade. “Seu cachorro será morto, silenciosamente e em algum dia, a partir as (sic) 00:00 horas do dia 30/01/2021”, diz o texto.

A intimidação prossegue com passos a serem seguidos pelos moradores. “Você tem o prazo até a data acima mencionada para colocar seu cachorro, ainda com vida, em outro lugar para viver. Desde que seja longe do bairro Planalto Paulista e daquela vizinhança”, afirma o trecho. O motivo da ameaça, segundo o texto, seriam os latidos “fora da normalidade de um convívio social” da cachorra.

“Fique ciente que este é seu único aviso. Somos profissionais e muito bem pagos pelo nosso trabalho. Tenha certeza que já realizamos trabalhos piores e nunca falhamos. Seu prazo e nosso trabalho são inegociáveis e irreversíveis. Como prova de nosso profissionalismo deixaremos uma marca de tinta branca no seu carro. A próxima não será tinta nem branca. Não entraremos mais em contato”, finaliza.

Assustada, a família foi aconselhada a registrar um Boletim de Ocorrência, feito na 16ª DP, na Vila Clementino, no dia 14 de janeiro. Vitor Assano, 30, dono de Sol, conta que na delegacia conheceu uma vizinha, dona de três cachorros, que também havia recebido a carta. O carro dela foi manchado com tinta branca, como prometido na carta, mas o da família de Vitor, não. “Vi respingos de tinta no chão, acho que não conseguiram cumprir a promessa porque meu portão é fechado”, relata.

Cachorros latem

Ele diz que, apesar de nunca ter notado um comportamento anormal em Sol, se sentiu culpado nos primeiros dias em que recebeu a ameaça. “Pensei que ela estava incomodando os vizinhos. Começamos a procurar o que podíamos fazer. Uma amiga aconselhou adestramento”, lembra.

Foi então que chegaram a Ricardo Milan, adestrador de cães há cerca de cinco anos. Durante a visita, ele constatou que não havia nada anormal em Sol. “Uma cachorra normal que late para estranhos. Não latiu pra mim. A família conta que late quando a campainha toca, quando chega um entregador, mas isso é normal, é o meio de comunicação e de defesa do animal“, diz o profissional. 

Vitor fez uma publicação em seu Instagram sobre o caso a fim de descobrir se outros vizinhos também tinham recebido ameaças. O post, feito na noite de quarta-feira (20), viralizou rapidamente e até o momento de fechamento desta matéria contava com mais de 2 000 comentários de indignação.  

Continua após a publicidade

“A postagem era pra atingir os moradores da região para saber se já tinham recebido algo do tipo, mas viralizou. Muita gente solidária querendo ajudar de várias formas, apoio jurídico, lar temporário… As últimas 12 horas têm sido bastante intensas”, diz Vitor, que conta que a família ainda não decidiu o que fazer. 

Após ter o animal de estimação jurado de morte, os moradores da casa têm tido dificuldade para dormir. “A gente ficou muito assustado, o ataque é contra nossa cachorra, que é parte da família, então é contra a gente também. Me senti muito vulnerável, a pessoa sabe meu endereço, qualquer barulho eu já fico assustado à noite, tenho dormido mal”, desabafa.

O que diz a Polícia

O deputado estadual Delegado Bruno Lima (PSL) informou que está em contato com a família. “Nesses casos, normalmente, o que nós orientamos é elaborar o boletim de ocorrência”, diz. “Eu pedi para a vítima e todos que receberam essa carta, se a capacidade financeira da família suportar, que instale um sistema de monitoramento até para se acontecer alguma coisa termos uma linha de investigação e também em caráter preventivo para inibir que o autor faça alguma coisa”.

A Vejinha entrou em contato com a Delegacia Estadual de Proteção Animal (Depa), que informou que o boletim de ocorrência foi registrado e que o caso está em investigação, mas não deu maiores detalhes. Também entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e aguarda posicionamento.

  •  

    Continua após a publicidade
    Publicidade