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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

O erro médico que marcou o parto d’OSGEMEOS; mãe relembra susto

"O obstetra ficou tão desnorteado que me deixou sozinha com a enfermeira", afirma Margarida Kanciukaitis, de 77 anos, genitora de Otávio e Gustavo Pandolfo

Por Tatiane de Assis - 14 out 2020, 14h40

Na terça-feira (13), a dupla de artistas OSGEMEOS fez uma live junto com o curador Jochen Volz no perfil do Instagram da Pinacoteca. Em dado momento, a conversa foi interrompida pelo celular tocando. “É minha mãe”, Gustavo, um dos irmãos, avisou. A conversa com a matriarca não se concretizou, então ela ligou para o outro filho, Otávio. “Quando um não atende, ela liga para o outro”, contou Gustavo, que também disse: “Vou atender, mãe a gente tem que atender.”

Essa anedota mostra um pouco da relação entre dona Margarida, de 77 anos, e os caçulas. Quem a conhece, entende de onde vem a obstinação bem humorada da dupla. O desejo de fazer dar certo de um jeito leve também remonta de algum modo o parto dos “meninos”, que foi marcado por um erro médico.

Desenhos e fotos da infância: registro (à esq.) do aniversário de 1 ano dos irmãos Alexandre Battibugli/Veja SP

“Minha barriga estava muito grande, então o médico me pediu para fazer um exame. Ao olhar, disse que só tinha uma criança”, recorda Margarida, que não tinha ideia do susto que ia levar no parto: “Quando estava na sala de cirurgia, o médico puxou a placenta e veio outro menino, outra criança. O médico ficou tão desnorteado que me deixou sozinha com a enfermeira. Eles eram tão pequenininhos, todo mundo dizia que iam morrem”.

Estarrecida com o que havia acontecido, ela não teve cabeça para pensar em nomes para os rebentos. Gustavo foi então escolha de uma prima, chamada Dina, e Otávio apareceu na placa que informava o nome da via onde ficava a maternidade, a rua Tenente Otávio Gomes, na Liberdade.

Em família: com os irmãos, Arnaldo e Adriana, e a mãe, Margarida Alexandre Battibugli/Veja SP

Com tanta emoção envolvida, a dupla foi cercada de atenção não só pela mãe e pelo pai, Walter Pandolfo, já falecido. O irmão Arnaldo, que também lembra os dois fisicamente, os estimulavam a desenhar e mostrava os caminhos do rock progressivo. Além disso, ele tem uma ligação com a dupla que passa pelo inconsciente: “Nós três já tivemos o mesmo sonho, no mesmo dia”, diz Otávio em tom de surpresa, sem revelar o conteúdo da narrativa, fazendo jus ao título da exposição da Pinacoteca, OSGEMEOS: SEGREDOS. Adendo: na mostra haverá uma foto do aniversário de 1 ano dos irmãos, data mais do que especial, já que eles estavam vivos e muito bem.

A irmã, Adriana, também faz parte desse círculo de carinho e desde cedo ficava por perto dos caçulas “Mas era um cuidado mais maternal, eu queria até escolher a roupa deles”, explica ela. A união dos quatro se mantém hoje no ateliê d’OSGEMEOS. Arnaldo é quem cuida de detalhes de construção das engenhocas elétricas (ele tem formação técnica em mecânica). Adriana, formada em administração de empresas, é responsável pela contabilidade e organização da agenda dos dois. 

Os gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo: exposição SEGREDOS começa na próxima semana (15) Alexandre Battibugli/Veja SP

Ainda de olho na família da dupla, vale falar que os avós maternos, já falecidos, ainda se fazem presentes. Na primeira sala da exposição, por exemplo, haverá um blusão que a vó, Dorinda Marcílio, fez especialmente para os dois. A influência do vô, Albino Kanciukaitis (1918-2004), que amava música clássica e compositores a exemplo de Giacomo Puccini (1858-1924), é referenciada em uma instalação, desdobramento da exposição Vertigem, de 2008. Em uma das faces dessa obra, observa-se uma lua caída, com olhos nas cores da bandeira do Brasil, e um barco à deriva, em que se lê Koln, o nome da embarcação que trouxe o ancião para o Brasil, dando início à saga da família no país.

Mais detalhes da mostra mais aguardada do ano você na reportagem de capa da Vejinha.

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