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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Oprah compartilha obra de artista nascido em Diadema

Atualmente, o paulista Robinho Santana, autor da pintura digital, mora e trabalha no bairro do Bexiga

Por Tatiane de Assis 15 mar 2021, 19h47

A apresentadora americana Oprah Winfrey compartilhou ontem em seu perfil no Instagram uma pintura digital do artista paulista Robinho Santana, de 36 anos. A tela traz Breonna Taylor, que foi morta a tiros, em março de 2020, por policiais na cidade de Louisville, no estado de Kentucky, na região sudeste dos Estados Unidos. Ela tinha apenas 26 anos.

A figura de Breonna também é acompanhada pela frase “Continuem dizendo meu nome”. Feita especialmente para a revista que leva o nome de Oprah, a obra de Santana foi concebida no prazo apertadíssimo, de pouco mais de 2 dias. “Sempre recebo mensagens de marcas, em inglês. Quando vi, achei que era vírus. Depois, como o email estava bem formatado, respondi e soube que o convite era verdadeiro”, diz o artista, nascido em Diadema, mas mora e trabalha no bairro do Bexiga.

Durante a entrevista sobre o trabalho  em megaexibição internacional nas redes sociais, Santana também fez um desabafo. “Difícil não pensar que há pouco tempo a polícia batia na minha porta por conta de uma arte que fiz com muito honra na companhia de artistas em Belo Horizonte, e, no último dia 10, fui convidado fazer uma ilustração sobre violência policial nos Estados Unidos para Oprah.”

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MURAL POLÊMICO EM BH

O episódio com a polícia tem relação com uma investigação já encerrada sobre um mural que Santana fez na capital mineira em outubro de 2020. A obra, realizada durante o festival de arte urbana Cura, contava com nomes escritos com a caligrafia da pichação, letras de difícil codificação. Como o muro onde foi feito o painel tinha outras inscrições ilegais antes da intervenção de Santana, o artista  e o grupo que o ajudou nesse trabalho foram acusados de coautores do crime de pichação, em janeiro de 2021.

“Não refizemos a pichação. Foram pintados novos símbolos com o intuito de dialogar com essa linguagem. Não há como falar de crime, porque foi tudo autorizado 9pelo condomínio o feita a obra)”, declarou à época a produtora Juliana Flores, uma das idealizadoras do Cura, que também foi investigada pelo mural. Junto com Robinho, ela e outros acusados comemoraram, em 27 de fevereiro, o arquivamento do inquérito pelo Ministério Público de Minas Gerais.

NOVO CONVITE

Santana, que já pintou um painel na lateral de um prédio em São Paulo, próximo à lanchonete Estadão, na região central, foi convidado pela Secretaria Municipal de Cultura da capital para fazer um novo trabalho. A equipe do artista afirma que a caligrafia da pichação, que foi usada em Belo Horizonte, estará presente na futura obra paulistana. A secretaria, entretanto, não confirma o uso das inscrições.

 

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